Mark Zuckerberg, de 42 anos, rejeita a ideia de abrandar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), numa altura em que aumentam os apelos para reforçar o controlo sobre a tecnologia, incluindo do papa Leão XIV.

O fundador e diretor-executivo da Meta defende que os próprios interesses das empresas e o risco de processos judiciais constituem mecanismos suficientes para incentivar os laboratórios a desenvolver sistemas mais seguros e alinhados com os utilizadores.

Num texto publicado na rede social X, Zuckerberg argumentou que os consumidores deixarão de utilizar agentes de IA que não respondam às suas necessidades ou que atuem contra os seus interesses. Para o empresário, essa realidade cria um incentivo direto para que os programadores trabalhem no chamado “alinhamento” dos modelos, conceito utilizado para descrever o desenvolvimento de sistemas capazes de seguir objetivos e instruções humanas.

Zuckerberg considera que as empresas que não derem prioridade a esta questão acabarão por perder terreno. Como exemplo, revelou que a Meta adiou durante vários meses o lançamento do Muse AI, um sistema com agentes personalizados, enquanto reforçava os mecanismos de segurança: “Fizemo-lo como parte do nosso trabalho diário porque era claramente o correto para as pessoas e para nós.”

O responsável da Meta defendeu também que a possibilidade de enfrentar processos judiciais constitui outro incentivo para que as empresas adotem comportamentos responsáveis. Na sua perspetiva, os modelos devem ainda ser sujeitos a avaliações independentes antes de chegarem aos utilizadores.

A Meta recorre atualmente a especialistas externos para testar os seus sistemas e Zuckerberg defende que esse processo deve envolver um número maior e mais diversificado de avaliadores. A posição surge também como uma crítica à Anthropic, que o empresário acusa de recorrer sobretudo a avaliadores próximos da própria empresa.

A discussão sobre a segurança e regulação da IA ganhou novo impulso nas últimas semanas, na sequência de vários incidentes e de sinais de que alguns modelos conseguem desenvolver capacidades com níveis crescentes de autonomia.

Empresas como a OpenAI, a Anthropic e a Google estarão a analisar a criação de uma estrutura conjunta destinada a estabelecer normas para o setor. Num sentido diferente, Dario Amodei (43), CEO da Anthropic, tem defendido publicamente uma redução do ritmo de desenvolvimento da tecnologia.

Zuckerberg mantém, contudo, uma posição contrária a medidas que possam atrasar a evolução dos modelos de IA. A Meta prevê investir este ano até 145 mil milhões de dólares (cerca de 125 mil milhões de euros), em infraestruturas relacionadas com inteligência artificial.

Em agosto, o empresário já tinha defendido que nenhuma regulamentação deveria impedir ou atrasar o lançamento de modelos norte-americanos, “nem sequer por um mês”.

A posição de Zuckerberg tem recebido apoio de várias figuras da indústria tecnológica norte-americana próximas da Casa Branca, que contestam os alertas relativos aos riscos da inteligência artificial e rejeitam propostas para abrandar o desenvolvimento destes sistemas.