A morte de Jesús de Miguel após um violento choque com o guarda-redes Jesús Owono, durante um jogo entre o Tenerife e o FC Andorra, está a ser investigada pela Polícia Nacional espanhola. O caso levanta agora dúvidas sobre as possíveis consequências criminais para o guardião, que foi expulso após o lance.

O incidente aconteceu na segunda-feira, dia 2, nos minutos finais da partida da segunda divisão espanhola. Jesús de Miguel disputava uma bola em profundidade quando foi atingido pelo guarda-redes adversário, que tinha saído da baliza. O avançado caiu inconsciente no relvado e entrou em paragem cardiorrespiratória.

Apesar da assistência médica e do transporte para o hospital, o jogador acabou por morrer na manhã desta terça-feira, dia 3.

Segundo a imprensa espanhola, o Grupo de Homicídios da Polícia Nacional abriu uma investigação para esclarecer as circunstâncias da morte, estando o caso sob supervisão judicial.

A possibilidade de Jesús Owono responder por homicídio por negligência depende, contudo, da avaliação da sua conduta. Especialistas em direito desportivo explicam que os jogadores estão sujeitos aos riscos inerentes à prática do futebol e que uma infração às regras não constitui, por si só, um crime.

O artigo 142.º do Código Penal espanhol prevê penas de prisão para casos de homicídio por negligência, mas a aplicação desta disposição exige que estejam reunidos os respetivos pressupostos legais.

A autópsia e as perícias deverão ajudar a esclarecer as causas da morte e a eventual existência de responsabilidade criminal. Até ao momento, não foi anunciada qualquer acusação contra o guarda-redes.