O Ministério Público (MP) vai avançar com recurso da decisão que absolveu o Benfica e vários antigos dirigentes no processo conhecido como ‘Saco Azul’.
“O Ministério Público vai interpor recurso da decisão que refere. O processo em causa foi declarado de excecional complexidade, pelo que o prazo para a interposição de recurso é de 60 dias”, confirmou à Lusa a Procuradoria-Geral da República (PGR), esclarecendo o acórdão que ilibou a Benfica SAD, a Benfica Estádio, bem como o antigo presidente do clube Luís Filipe Vieira, entre outros arguidos.
Nesta sexta-feira, dia 29, uma fonte ligada ao processo tinha avançado à Lusa que o caso estaria encerrado, por alegado esgotamento do prazo de recurso. Contudo, a posição agora confirmada pela PGR vem contrariar essa leitura.
Recorde-se que, a 23 de abril, o Tribunal Central Criminal de Lisboa absolveu todos os arguidos no processo ‘Saco Azul’, incluindo as entidades e responsáveis ligados ao Benfica, num caso que investigava alegados esquemas de consultoria informática entre 2015 e 2018.
Em causa estava a suspeita de contratos considerados fictícios, através dos quais terão sido movimentados mais de 1,8 milhões de euros, parte dos quais alegadamente regressariam ao clube em numerário. No entanto, o coletivo de juízes sublinhou que persistiram dúvidas relevantes sobre a prova apresentada.
“O tribunal apontou dúvidas sobre a acusação”, referiu o presidente do coletivo, destacando que apenas uma perícia técnica aprofundada poderia esclarecer a totalidade dos factos, algo considerado inviável nesta fase do processo, face ao tempo decorrido.
Na fundamentação, o juiz salientou ainda a dificuldade em determinar com rigor o papel de alguns intervenientes, nomeadamente no que diz respeito à atuação do empresário José Bernardes e à empresa Questãoflexível.
“A questão tem de ver, apenas e só, com o chapéu que foi usado pelo arguido José Bernardes”, referiu o magistrado, acrescentando que existiam interpretações divergentes quanto à sua eventual intervenção em trabalhos alegadamente prestados ao universo benfiquista.
À saída do tribunal, o presidente do Benfica, Rui Costa, mostrou satisfação com a decisão, defendendo que o clube saiu prejudicado ao longo de uma década de investigação.
“Em muitas áreas, o Benfica foi prejudicado”, afirmou, acrescentando que a exposição pública do caso afetou a imagem da instituição e a confiança dos adeptos, sublinhando o impacto prolongado do processo.















