Rama Duwaji, mulher do presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, vai participar em setembro num exclusivo retiro espiritual feminino em Portugal, dedicado à caligrafia islâmica, apurou o 24 Horas.

A artista e ilustradora sírio-americana surge no programa como “artista residente” e será responsável por uma oficina inspirada na herança muçulmana da Península Ibérica, naquilo que será a terceira colaboração de Duwaji, ao longo de 2026, com a organização The Women Sanctuary, depois de encontros realizados em Maiorca e na Córsega.

O retiro português, denominado 'Journey Through Islamic Calligraphy', terá duas sessões: a primeira entre 16 e 21 de setembro e a segunda de 25 a 30 do mesmo mês, que terão lugar no Paço da Glória, uma propriedade histórica situada na aldeia de Jolda, a meio-caminho entre Ponte de Lima e Arcos de Valdevez, no Alto Minho - um solar barroco do século XVIII, com vista para o vale do Lima, e que dispõe de jardins, piscina exterior de água salgada, piscina interior aquecida e antigas dependências transformadas em alojamento turístico.

O Paço da Glória, nos arredores de Ponte de Lima, onde terá lugar o encontro islâmico, em que estará presente Rama Duwaji, a mulher do 'mayor' de Nova York

Adversários criticam viagem

A viagem da mulher de Mamdani está a causar alguma controvérsia nos Estados Unidos, em grande parte pelo valor da inscrição no retiro, em que os preços vão dos 3700 aos 4200 euros, dependendo do quarto ser, ou não, partilhado - detalhes que foram adiantados pelo New York Post.

Não está, porém, demonstrado que Rama Duwaji vá pagar esse valor. O preço é cobrado às participantes, enquanto a mulher de Mamdani integra a equipa artística e orientará uma das oficinas. A organização não revelou se Duwaji receberá honorários nem quem suportará as suas despesas de viagem e alojamento.

O programa inclui cinco noites de estadia, refeições halal, 12 horas de aulas com o calígrafo Pablo Casado, preparação do tradicional qalam, palestras sobre a presença histórica do Islão em Portugal, momentos de oração, caminhadas, atividades de reflexão e sessões junto às piscinas, sendo que o consumo de álcool esteja proibido.

A deslocação está a provocar críticas entre adversários republicanos do 'mayor' Mamdani. A vereadora nova-iorquina Joann Ariola acusou Duwaji de mostrar maior interesse por viagens e retiros do que pelos problemas da cidade.

A polémica começou já em julho, quando a artista participou num encontro em Maiorca durante as comemorações dos 250 anos da independência norte-americana. Nessa ocasião, a Câmara de Nova Iorque garantiu que a viagem de Duwaji, que não exerce qualquer cargo oficial na autarquia, fora privada, sem utilização de fundos municipais ou proteção da polícia.