A juíza Beatriz Biedma, que instruiu o processo contra David Sánchez, irmão do primeiro-ministro espanhol, está prestes a ser reconhecida como lesada no chamado caso das "cloacas" do PSOE. A investigação, conduzida na Audiência Nacional pelo juiz Santiago Pedraz, inclui alegados contactos com um clã de narcotráfico de Badajoz para a afastar do processo.
Segundo o jornal Vozpópuli, Pedraz aguarda o parecer da Procuradoria Anticorrupção sobre o pedido da magistrada. Esse parecer deverá ser favorável, noticiou na terça-feira o El Debate. Se for aceite como acusação particular, Biedma poderá pedir diligências sobre os contactos atribuídos ao grupo ligado à ex-militante socialista Leire Díez e ao antigo número três do partido, Santos Cerdán.
Na quinta-feira, o Vox levou o caso a Bruxelas. O eurodeputado Jorge Buxadé questionou a Comissão Europeia, depois de o partido ter apresentado uma queixa-crime contra Leire Díez, o ex-juiz Luis José Sáenz de Tejada e o advogado Jacobo Teijelo.
O caso ganhou nova dimensão esta semana. O El Español noticiou, com base numa fonte anónima, que Sáenz de Tejada terá proposto em 2025 ao clã Los Rochos o arquivamento dos processos pendentes contra o grupo, em troca de afastar a juíza. O clã terá recusado por desconfiança. No mesmo dia, a líder do clã, Cintia Rocho, confirmou em televisão ter recebido a morada da magistrada e fotografias dela no ginásio.
Sáenz de Tejada foi expulso da carreira judicial após uma condenação por violência de género. Segundo a COPE, admitiu ter estado presente num encontro e saber onde a juíza vive e que escola frequentam as filhas, mas nega ter gravações em vídeo.
No pedido entregue a Pedraz a 16 de setembro, Biedma cita uma anotação de 25 de março de 2025 na agenda de Leire Díez: "Jueza de Badajoz. La Celsa. Heroína o gitano". Segundo a imprensa espanhola, "La Celsa" será Cintia Rocho. A anotação é de poucos dias depois de ter sido rejeitado o pedido de afastamento da juíza promovido por Sáenz de Tejada.
O PSOE contesta a versão. O porta-voz socialista Patxi López classificou as alegadas ameaças como boato e acusou o PP de vazio moral.
David Sánchez foi condenado por prevaricação pela Audiência de Badajoz, num processo sobre a sua contratação pela Diputación local.

















