Um áudio divulgado ontem, dia 22,pelo jornal espanhol OKDIARIO atribui a Lorena Suárez, antiga secretária-general do PSOE na Argentina, o pedido de fotocópias de passaportes espanhóis, incluindo de pessoas já falecidas, para angariar votos por correio a favor de Pedro Sánchez nas eleições legislativas de 2023.
Na gravação, uma conversa telefónica com um militante não identificado, a dirigente pede que este se junte a um "circuito de compañeros" para ir buscar votos. O objetivo seria aumentar o apoio ao PSOE entre os espanhóis residentes na Argentina. Segundo a transcrição publicada, Suárez sugere ao interlocutor que use o passaporte "de tu tía, la que se murió". De acordo com o OKDIARIO, a dirigente procurava aproveitar a supressão do chamado voto rogado, reforma promovida pelo ministro Félix Bolaños.
A reação política chegou no mesmo dia. A porta-voz do PP no Congresso dos Deputados, Ester Muñoz, classificou o caso de "escândalo". Muñoz associou-o à suspensão, pelo Tribunal Supremo, das inscrições no voto dos espanhóis residentes no estrangeiro feitas ao abrigo da chamada Lei dos Netos.
O caso não era desconhecido dentro do partido. Algum tempo depois da gravação, militantes apresentaram uma denúncia formal ao Conselho de Residentes Espanhóis de Buenos Aires. O então secretário de Organização, Gustavo López Pardo, transcreveu a conversa e condenou práticas que considerou alheias à história do partido. Lorena Suárez demitiu-se da Comissão Executiva em agosto de 2024, alegando "falta de confiança". Desde então, a estrutura argentina do PSOE é gerida por uma comissão dependente da direção nacional.

















