Uma nova lista com 31 categorias religiosas foi agora adotada, nos Estados Unidos, que reduz significativamente o leque anteriormente disponível, que ultrapassava as 200 tradições que as Forças Armadas podiam selecionar.

Segundo a Associated Press (AP), deixam de constar desta atualização grupos como ateus, unitaristas universalistas, pagãos e wiccanos.

Num comunicado citado pela AP, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, sublinhou que a alteração “não visa reivindicar a legitimidade de qualquer fé ou crença religiosa, nem pretende fornecer uma lista de religiões ‘oficialmente aprovadas’”.

“O objetivo é permitir que os capelães avaliem de forma mais rápida a composição religiosa das suas unidades e determinem a melhor forma de organizar recursos para servir todos os militares, independentemente da sua fé”, acrescentou.

Parnell reforçou ainda que o Departamento da Defesa valoriza a liberdade religiosa, referindo que os capelães têm como missão facilitar a capacidade dos militares de “praticarem livremente a religião da sua escolha, ou nenhuma religião”.

A nova classificação agrupa algumas denominações cristãs em categorias mais amplas, como batistas, presbiterianos e metodistas, sem distinguir subdivisões internas dessas tradições.

Os militares continuam a poder identificar-se como “sem religião”, “agnósticos” ou “outras religiões”. Entre as confissões incluídas na lista estão o budismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo, sikhismo, a fé bahá’í e A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

A Associação Unitária Universalista, agora excluída da lista, criticou a decisão, alertando que a medida “pode dificultar o acesso dos militares unitários universalistas aos cuidados espirituais de que necessitam”, segundo comunicado citado pela AP.

A organização afirmou ainda estar a preparar uma resposta estratégica para apoiar os militares afetados.

A mudança foi promovida sob a liderança do secretário da Defesa, Pete Hegseth, que tem reforçado a sua visão religiosa no Pentágono, promovendo iniciativas de caráter espiritual e referindo-se frequentemente aos Estados Unidos como uma nação de matriz cristã.

Hegseth já tinha anunciado em dezembro a intenção de rever estas categorias, defendendo que o número de códigos religiosos se tinha tornado excessivo e difícil de gerir.

Em reação, o reverendo Paul Raushenbush, líder da Aliança Inter-religiosa, criticou a decisão, afirmando que “o secretário Hegseth não está a ‘simplificar’ nada. Está a elevar uma visão religiosa do mundo restrita a partir do topo da cadeia de comando”.

“O princípio constitucional não permite que o Governo crie hierarquias entre religiões, nem que o Pentágono decida quais crenças são dignas de reconhecimento”, acrescentou.

Segundo dados do Congresso norte-americano de 2019, cerca de 70% dos militares identificam-se como cristãos, enquanto quase um quarto é classificado como “sem religião”, “outros” ou “desconhecido”.