Mais de 37 mil cidadãos nacionais trabalham no setor petrolífero e do gás em Angola, dos quais cerca de 5800 ocupam cargos de direção. Os dados divulgados durante a conferência Angola Oil & Gas revelam o avanço da angolanização, mas também a forte concentração da exploração num pequeno grupo de operadores internacionais.

O país conta com 30 a 40 multinacionais relevantes ligadas à indústria, embora entre 10 e 15 empresas concentrem quase toda a atividade de exploração. Em 2023 estavam registadas 1540 empresas angolanas no sistema de certificação da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, incluindo fornecedores de recursos humanos, manutenção industrial, serviços marítimos e operações offshore.

Entre 2022 e 2025, 97% dos contratos adjudicados foram atribuídos a empresas registadas em Angola, num valor aproximado de 52,6 mil milhões de dólares. O peso destes contratos não significa, contudo, que todo o valor tenha ficado em empresas de capital nacional, uma vez que muitas multinacionais operam através de sociedades locais.

A ANPG defende que a criação de emprego dependerá cada vez mais do conteúdo local e das PME fornecedoras, dado que a produção petrolífera é intensiva em capital. O próximo desafio é aumentar a presença de empresas angolanas nas atividades mais qualificadas e de maior valor tecnológico, evitando que o conteúdo local fique concentrado em serviços de menor complexidade e reduzida margem financeira.