As Pequenas e Médias Empresas (PME) asseguram mais de 60% dos empregos formais em Angola, confirmando o seu peso na economia e na estratégia de diversificação do país. O dado foi apresentado pelo presidente do Instituto Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas, Bráulio Augusto, durante o Fórum Económico Angola–Brasil, realizado em Luanda.

O responsável defendeu o reforço dos mecanismos de financiamento, apoio técnico e qualificação dirigidos às PME. Apesar de garantirem a maioria dos postos de trabalho formais, muitas destas empresas continuam limitadas na capacidade produtiva, tecnológica e financeira, o que dificulta a sua integração nas grandes cadeias industriais e comerciais.

Os participantes no fórum consideraram que o desenvolvimento económico não pode depender apenas da exploração de recursos naturais. Angola precisa de transformar localmente as matérias-primas, desenvolver fornecedores nacionais e criar ligações entre as PME e os grandes investimentos. O diretor-geral da Alimenta Angola, Luiz Mattos, apontou a inovação, a eficiência e a formação profissional como condições essenciais para que estas empresas avancem na cadeia de valor.

A experiência brasileira foi apresentada como referência: depois de um período de forte dependência alimentar, o Brasil expandiu a produção agrícola através do financiamento público e da cooperação internacional, sendo que o desafio angolano passa agora por transformar o peso das PME no emprego numa força equivalente na produção nacional.