A decisão do presidente da Polónia, Karol Nawrocki, de retirar a Volodymyr Zelensky a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração do Estado polaco, está a provocar uma nova crise diplomática entre Varsóvia e Kiev.

A medida foi anunciada esta sexta-feira, dia 19, e surge na sequência da decisão do líder ucraniano de atribuir a uma unidade das Forças de Operações Especiais da Ucrânia uma designação associada ao Exército Insurgente Ucraniano (UPA), movimento nacionalista cuja atuação durante a Segunda Guerra Mundial continua a ser alvo de forte controvérsia.

Na Polónia, o UPA é responsabilizado pelos massacres de dezenas de milhares de civis polacos, na Volínia e na Galícia Oriental, entre 1943 e 1944. O parlamento classificou esses acontecimentos como genocídio, estimando-se que mais de 100 mil polacos tenham sido mortos.

Já na Ucrânia, o movimento é frequentemente apresentado como uma força de resistência que combateu a ocupação soviética e lutou pela independência do país.
Zelensky tinha recebido a Ordem da Águia Branca em 2023, pelas mãos do então presidente, Andrzej Duda, em reconhecimento pelo papel desempenhado na defesa da Ucrânia após a invasão russa.

Contudo, Nawrocki considerou que a recente homenagem ao UPA tornou incompatível a manutenção da distinção, afirmando que a organização continua a ser vista pela maioria dos polacos como responsável por “crimes cruéis” contra cidadãos da então República da Polónia.

A decisão gerou críticas em Kiev. Vários responsáveis ucranianos acusaram Varsóvia de alimentar divisões entre aliados num momento em que a Ucrânia continua em guerra com a Rússia. Apesar da polémica, o presidente polaco garantiu que a medida não altera o apoio de Varsóvia à defesa ucraniana face à agressão russa.