Os trabalhadores portugueses são os que mais valorizam o desenvolvimento de competências humanas como forma de diferenciação face à Inteligência Artificial (IA). Segundo a edição de 2026 do estudo internacional 'Transformations, Skills and Learning', 32% dos profissionais em Portugal acreditam que esse será o principal valor diferenciador da formação até 2035, acima da média de 23% registada nos 11 países e regiões analisados.

A transformação provocada pela tecnologia já está, contudo, a gerar preocupação. Em Portugal, 26% dos trabalhadores receiam que o seu emprego possa desaparecer e 73% esperam alterações na natureza das funções que desempenham. Entre os profissionais de recursos humanos portugueses, 75% antecipam uma transformação profunda das funções profissionais, enquanto 60% apontam a IA e a automatização como as principais mudanças que vão afetar as competências nas organizações nos próximos dois anos.

Perante este cenário, as empresas portuguesas estão a apostar sobretudo na adaptação dos atuais trabalhadores. Cerca de 70% dos profissionais de recursos humanos em Portugal dão prioridade à requalificação em vez do recrutamento e 95% consideram estratégico o desenvolvimento de competências dentro das organizações. Os trabalhadores mostram-se também relativamente confiantes na capacidade de adaptação ao futuro do trabalho, com uma pontuação média de sete em dez.

Apesar da crescente utilização da tecnologia, a formação específica continua limitada. Em Portugal, 86% dos trabalhadores dizem utilizar Inteligência Artificial Generativa para fins pessoais e 65% no contexto profissional, mas apenas 23% receberam formação nesta área nos últimos 12 meses, o valor mais baixo do estudo. A investigação ouviu 5.524 trabalhadores, incluindo 508 em Portugal, e 498 profissionais de recursos humanos, 45 dos quais portugueses, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.