O príncipe Harry, de 42 anos, continua a refletir sobre a morte da mãe, quase três décadas depois da tragédia que marcou a sua infância. Entre as recordações que o acompanham está a última chamada telefónica que teve com a princesa Diana, uma conversa que hoje encara com arrependimento.

Numa entrevista para a série ‘One More Question’, da revista GQ, o duque de Sussex, falou sobre a forma como tem aprendido a lidar com a perda e sobre as questões que continuam a surgir quando pensa na mãe. Harry revelou que se lembra de Diana “quase todos os dias” e que, por vezes, imagina como teria sido a sua vida se ela ainda estivesse presente.

“Que saudades. Imagino como seria o mundo se ainda estivesses aqui. Imagino como seria a minha família se ainda estivesses aqui”, afirmou, descrevendo os pensamentos que lhe ocorrem nesses momentos.

O tema do luto está também no centro do novo curso que Harry desenvolveu para a plataforma MasterClass, em colaboração com a especialista Mary-Frances O'Connor. Intitulado ‘Redefining Grief: Building Resilience Through Loss’, o projeto aborda a forma como as pessoas podem enfrentar a dor provocada pela perda.

Diana, recorde-se, morreu a 31 de agosto de 1997, num acidente de automóvel em Paris. Tinha 36 anos. Harry tinha apenas 12 anos, enquanto o irmão mais velho, o príncipe William, tinha 15.

Horas antes da morte da princesa, os dois irmãos tinham falado com a mãe por telefone. Na altura, encontravam-se em Balmoral, na Escócia, onde passavam uns dias com a família. A conversa foi breve, uma vez que Harry e William estavam ansiosos por regressar às brincadeiras com os primos, como recordaram no documentário de 2017, ‘Diana, Our Mother: Her Life and Legacy’.

Aquela acabou por ser a última vez que Harry ouviu a voz de Diana. Ao recordar o episódio à GQ, o príncipe admitiu que continua a pensar na forma como teria agido se soubesse o que iria acontecer: “Se soubesse que aquela seria a última chamada com ela, como teria sido diferente aquela conversa? Sou eu que tenho de viver com isso. E com o facto de que, aos 12 anos, tudo o que queria era sair a correr para brincar com os meus primos.”

Apesar dos anos que passaram, Harry diz continuar a sentir uma proximidade especial com a mãe. Essa relação não se limita às memórias que guarda de Diana: o príncipe contou que, em determinados momentos, chega a dirigir-lhe perguntas na esperança de encontrar respostas: “Às vezes, faço-lhe perguntas, à procura de algum tipo de resposta, e, por vezes, consigo uma resposta.”

Harry reconheceu que a experiência de viver na Califórnia poderá ter influenciado a forma como interpreta estas sensações, mas garantiu que continua a sentir uma ligação à mãe: “Talvez tenha passado demasiado tempo na Califórnia, mas, depois de todo o trabalho que fiz, continua a existir uma ligação à minha mãe. Em certos momentos e em determinadas fases da minha vida, sinto verdadeiramente a energia dela.”