O gabinete do Provedor de Justiça da Indonésia revelou ter descoberto um complexo de apartamentos luxuosamente mobilados e ocupados por reclusos no interior da prisão de Cibinong, situada a sul da capital, Jacarta.
A descoberta foi feita durante uma inspeção surpresa. Segundo o Provedor de Justiça, o espaço inclui mais de 10 quartos separados das áreas de reclusão comuns, com sala de estar, quarto, cozinha, televisão, frigorífico e utensílios de cozinha. Foram também encontrados veículos de luxo, bebidas alcoólicas dentro de um frigorífico e, segundo relatos, ginásio, piscina e um simulador de golfe em construção.
O caso agrava-se por um motivo: uma pessoa encontrada no local terá admitido pagar para ocupar aquelas instalações. A alegação ainda terá de ser investigada, incluindo quem pagou, a quem e por quanto.
O Provedor de Justiça denuncia ainda ter sido impedido de aceder à prisão. Foi a segunda vez que a equipa teve problemas de acesso, depois de uma situação idêntica em julho. Os funcionários da prisão alegam que o edifício serve de local de descanso para o pessoal, mas o gabinete continua a questionar o verdadeiro uso das instalações. Admite, no entanto, que ainda não conseguiu confirmar a identidade das pessoas que estavam nos quartos.
A direção regional dos serviços prisionais de Java Ocidental rejeita a acusação de uma zona VIP para reclusos. Em conferência de imprensa, na quinta-feira, o responsável Yudi Suseno afirmou que se trata de 11 casas oficiais destinadas a funcionários, incluindo o diretor da prisão. Admitiu que alguns reclusos em regime de reinserção poderão descansar numa "casa de passagem" e prometeu aprofundar a investigação e agir caso se confirme uma utilização indevida.
O caso já chegou ao topo. O ministro da Imigração e Serviços Prisionais, Agus Andrianto, vai investigar o caso, depois de uma inspeção surpresa à prisão. No Parlamento, um deputado da Comissão III pediu à polícia que investigue tanto a vertente administrativa como a criminal, incluindo uma eventual obstrução ao trabalho do Provedor de Justiça, e que o Tribunal de Contas audite a gestão do orçamento e dos bens da prisão.
O Provedor de Justiça deu menos de um mês à prisão para demolir as instalações especiais. Pediu ainda uma reestruturação da direção e que os reclusos que as ocupavam regressem às celas. Quando voltar a inspecionar a prisão, a estrutura já deverá ter desaparecido.
A atenção recai agora sobre alguns dos reclusos de Cibinong. A organização anticorrupção MAKI diz que Ferdy Sambo, ex-polícia condenado por homicídio, terá ficado na zona das casas de luxo, e que Harvey Moeis, condenado no caso de corrupção do estanho, também terá recebido regalias. São alegações da MAKI, que não foram confirmadas pelas autoridades.

















