Cilia Flores, de 69 anos, mulher do presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro (63), pediu à Justiça norte-americana autorização para abandonar a prisão e aguardar o julgamento em regime de prisão domiciliária, alegando graves problemas cardíacos. O pedido foi apresentado esta quarta-feira, dia 9, num tribunal de Nova Iorque.

Flores está detida desde 3 de janeiro e, segundo os advogados, necessita de tratamento cardíaco complexo que não poderá ser assegurado de forma adequada na prisão federal onde se encontra. A defesa propõe que seja transferida para uma residência privada em Nova Iorque, onde ficaria sob vigilância de guardas armados 24 horas por dia, usaria pulseira eletrónica e teria visitas limitadas e chamadas telefónicas monitorizadas. Mulher de Maduro suportaria os custos e entregaria ainda o passaporte.

Na documentação enviada ao tribunal, os advogados relatam episódios de dores no peito, arritmias e dificuldades respiratórias, além de uma perda de mais de 11 quilos desde a detenção. A defesa afirma ainda que, em 29 de julho, Flores sofreu um episódio que poderá ter sido um enfarte ligeiro, embora esse diagnóstico não esteja confirmado.

Flores e Maduro foram capturados em janeiro, em Caracas, numa operação das forças norte-americanas, e posteriormente levados para Nova Iorque. Ambos declararam-se inocentes das acusações que enfrentam, relacionadas com narcotráfico e narcoterrorismo.

O julgamento está marcado para 1 de junho de 2027. Antes, a 17 de novembro, está prevista uma audiência para analisar recursos das defesas, incluindo os argumentos de imunidade apresentados por Maduro e Flores.