A RTP estima encerrar o exercício de 2026 com um prejuízo de 11,35 milhões de euros, um agravamento significativo face aos 2,95 milhões de euros negativos projetados no Plano Anual de Atividades e Orçamento (PAO) apresentado em novembro. A informação consta do Segundo Aditamento ao PAO, citado pelo ECO, documento que ainda aguarda aprovação da tutela.

De acordo com a estação pública, o principal fator que explica o agravamento das contas é a implementação de um novo Plano de Saídas Voluntárias (PSV), cuja execução está prevista para outubro. A adesão estimada de 157 trabalhadores implicará um encargo de cerca de 12 milhões de euros em indemnizações, impacto que será refletido nas contas deste ano.

Apesar do aumento do prejuízo em 2026, a administração da RTP prevê que o plano permita uma recuperação da situação financeira já a partir do próximo ano. Segundo as novas projeções, a empresa deverá regressar aos lucros em 2027, com um resultado positivo de 889 mil euros, mantendo-se em terreno positivo em 2028, com um saldo de 185,7 mil euros.

As previsões representam uma alteração significativa face ao cenário traçado em novembro. Na altura, a RTP estimava fechar 2027 com um prejuízo de 8,04 milhões de euros e 2028 com perdas de 9,75 milhões de euros.

No documento, a empresa justifica que o impacto financeiro inicial do plano de saídas será compensado pelas poupanças geradas nos anos seguintes: "A concretização das saídas previstas produzirá efeitos orçamentais no exercício corrente e nos exercícios subsequentes, gerando poupanças estruturais na rubrica de gastos com pessoal que contribuirão para a melhoria sustentada da posição financeira da RTP e para o cumprimento das metas definidas no PAO 2026."

A estação pública considera, assim, que o esforço financeiro associado às indemnizações constitui um investimento na redução estrutural dos custos com pessoal, permitindo reforçar a sustentabilidade financeira da empresa no médio prazo. O documento encontra-se ainda pendente de aprovação por parte da tutela, pelo que as projeções poderão ficar sujeitas a validação governamental.