Rúben Pacheco Correia, de 29 anos, pronunciou-se sobre a polémica em torno de Cláudio Ramos (53) e da 'entrevista' a Ana Rita Barros (23), jovem criadora de conteúdos que esteve no programa ‘Dois às 10’, da TVI, para falar sobre autoestima e obesidade. O apresentador da CMTV aproveitou a ocasião para recordar a própria experiência enquanto viveu com excesso de peso.
A controvérsia surgiu após a emissão de quarta-feira, dia 22, da TVI, onde Cláudio Ramos foi acusado de ter adotado um discurso preconceituoso durante a conversa com Ana Rita Barros. A jovem afirmou ter-se sentido desconfortável com algumas das observações do apresentador, entre elas: "Não acho que sejas feliz desta forma a nível de saúde. Tens 23 anos"; e "eu não posso apresentar um programa de televisão onde se normalize que alguém com 120 quilos está bem".
Entretanto, a CMTV recebeu nesta sexta-feira, 24, a jovem no programa ‘Olá, Bom Dia’, apresentado por Luciana Abreu (41) e Rúben Pacheco Correia. O comunicador açoriano, que conhece bem esta realidade, por ter vivido durante vários anos com excesso de peso, partilhou nas redes sociais um longo testemunho sobre o impacto que a obesidade teve na sua vida.
"Quem me vê hoje, com menos 90 quilos, talvez não saiba que já habitei um corpo de 163 quilos. E talvez não imagine que, mesmo já não carregando o peso de outrora, ainda vive em mim um fantasma que me desafia todos os dias", escreveu.
O apresentador descreveu ainda as dificuldades que enfrentou durante anos: "Eu conheço a dor de ver o corpo chegar aos sítios primeiro do que a alma. Conheço a vergonha de não ir à praia e o julgamento silencioso de quem nos olha de soslaio numa pastelaria, enquanto tolera tantos outros vícios na rua."
Rúben criticou também a forma como a sociedade encara a obesidade: "A sociedade teima em convencer-nos de que a obesidade se resolve apenas ‘fechando a boca’, ignorando por completo a complexidade de uma doença. Mas, pior do que isso, querem convencer-nos de que só os magros têm direito a sorrir ou, até, a vestir determinadas roupas.”
Referindo-se diretamente a Ana Rita Barros, revelou que falou com a jovem "olhos nos olhos" e "de igual para igual", defendendo o direito de cada pessoa viver a felicidade à sua maneira: "A Ana Rita é feliz com os seus 119 quilos e a sua luz incomoda quem vive acorrentado ao preconceito. Eu também fui feliz com 163 quilos. Não fazia o pino, é certo, mas o pino nunca interessou para nada na arquitetura daquilo que eu considerava ser a minha alegria, a minha felicidade."
Apesar de ter optado por perder peso, sublinhou que essa foi uma decisão exclusivamente sua. "A escolha de mudar foi minha, mas o direito de ser feliz é de todos. Entre o julgamento estéril a que assistimos esta semana na televisão e a aceitação corajosa, eu escolherei sempre a humanidade. Até porque o volume do corpo nunca ditará o volume da felicidade, do respeito e da compreensão."
No final da publicação, deixou uma mensagem de agradecimento à jovem: "Obrigado pelo teu testemunho, Ana Rita. Contigo, hoje a televisão foi mais justa."

















