A campanha para a segunda volta das eleições presidenciais no Brasil começou com um confronto em torno das propostas económicas e do futuro dos programas sociais. No dia 8 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL), voltou a defender o fim da reeleição presidencial, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), intensificou as críticas às medidas de contenção de despesas defendidas pelo adversário.

Flávio afirmou que pretende fazer com que o fim da reeleição se aplique já ao seu eventual mandato. A proposta faz parte de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da sua autoria, que procura alterar as regras de permanência no cargo de Presidente da República. O senador também defendeu restrições à candidatura de familiares do chefe de Estado, incluindo parentes até ao terceiro grau, uma medida que teria implicações para futuras candidaturas de membros da família Bolsonaro.

O candidato do PL tem associado a sua proposta a uma redução das despesas públicas. O debate sobre o chamado «tesouraço», expressão utilizada para descrever os cortes orçamentais defendidos no âmbito do ajuste fiscal, passou a ocupar espaço central na disputa eleitoral.

Na mesma quinta-feira, Lula recorreu às redes sociais para alertar para o que considera serem os riscos das propostas do adversário para os programas sociais. Em vídeos publicados no formato de gravações feitas com o telemóvel, o presidente afirmou que um eventual governo de Flávio poderia reduzir recursos destinados a iniciativas como o Pé-de-Meia, o Farmácia Popular e o Minha Casa, Minha Vida. Também criticou possíveis mudanças nas políticas de valorização do salário mínimo e das pensões.

O Pé-de-Meia é um programa de incentivo financeiro destinado a estudantes do ensino secundário público, criado para estimular a permanência na escola e reduzir o abandono escolar. O Farmácia Popular facilita o acesso a medicamentos, enquanto o Minha Casa, Minha Vida está orientado para o acesso à habitação, sobretudo entre famílias de rendimentos mais baixos.

Durante uma conversa com jornalistas, Lula voltou a criticar a possibilidade de cortes nas despesas públicas e recordou reduções orçamentais previstas para diferentes áreas no orçamento apresentado no final do governo de Jair Bolsonaro, em 2022, para o exercício de 2023. O presidente utilizou esses números para sustentar as críticas à estratégia de ajuste fiscal defendida pelo campo político do adversário.

A campanha de Flávio, por sua vez, tem contestado a ideia de que pretende eliminar os programas sociais. O coordenador económico do candidato, Adolfo Sachsida, afirmou que um eventual governo do PL pretende preservar e reforçar essas iniciativas. A equipa também rejeitou a intenção de privatizar empresas públicas como a Caixa Económica Federal, o Banco do Brasil e a Petrobras.

Assim, a discussão eleitoral passou a concentrar-se em duas questões: a dimensão dos cortes necessários para ajustar as contas públicas e os efeitos que eventuais mudanças orçamentais poderiam ter sobre os benefícios sociais. Enquanto Lula apresenta as propostas do adversário como uma ameaça ao financiamento de políticas públicas, a campanha de Flávio defende a necessidade de reorganizar as despesas sem retirar a assistência às populações mais vulneráveis.

A segunda volta está marcada para 25 de outubro. Até lá, as propostas económicas, o financiamento dos programas sociais e as regras de reeleição presidencial deverão continuar entre os principais temas do confronto entre os dois candidatos.