Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, transformou o momento do voto numa declaração política forte. O presidente brasileiro, candidato à reeleição, afirmou este domingo, dia 4, que os brasileiros têm diante de si uma escolha que ultrapassa partidos e candidatos: decidir entre o reforço da democracia e aquilo que classificou como “barbárie”.

Lula votou cerca das 09:13, hora de Brasília, na Escola Estadual João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo, cidade da região metropolitana de São Paulo onde construiu grande parte da sua trajetória política. “O povo vai ter de escolher entre o fortalecimento do regime democrático ou a barbárie, entre o positivismo e o negacionismo, entre o desenvolvimento e o atraso”, declarou aos jornalistas.

O líder histórico do PT residente mostrou-se confiante na possibilidade de conquistar um quarto mandato e defendeu que a decisão saída das urnas terá de ser respeitada. “O povo é soberano e o resultado do povo será acatado por todos os 215 milhões de brasileiros”, garantiu.

Sem nomear diretamente Flávio Bolsonaro, de 45 anos, seu principal adversário e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula endureceu o discurso: “O Brasil não irá para a frente com miliciano.” O candidato do PT apelou ainda à participação dos brasileiros com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo.

As eleições decorrem num Brasil profundamente polarizado. Lula e Flávio Bolsonaro chegaram ao dia da votação separados por uma margem curta nas últimas sondagens, tornando particularmente imprevisível a possibilidade de uma segunda volta. Caso nenhum candidato ultrapasse 50% dos votos válidos, os dois mais votados voltam às urnas no dia 25.