George Clooney, de 65 anos, acredita que os Estados Unidos atravessam atualmente uma fase difícil, mas mantém a esperança de que as próximas eleições intercalares possam marcar uma mudança no rumo político do país.

O ator norte-americano falava em Veneza, Itália, à chegada ao 83.º Festival de Cinema de Veneza, onde seria distinguido horas mais tarde com um prémio de carreira. Questionado sobre a atual situação política norte-americana, evitou mencionar diretamente Donald Trump (80), mas deixou críticas claras à forma como o país está a ser governado.

“Normalmente sou muito otimista, mas sim, acho que estamos a passar por um momento infeliz”, afirmou. Clooney recorreu depois a uma palavra pouco habitual para descrever o atual cenário político: “caquistocracia”, termo utilizado para definir um sistema governado pelas pessoas menos qualificadas.

O ator considera que já assistiu a períodos particularmente conturbados da história dos Estados Unidos. Durante a conversa, recordou os assassinatos de Martin Luther King e Robert Kennedy, ambos ocorridos em 1968, para ilustrar a dimensão de outros momentos de tensão que o país atravessou.

Para Clooney, o atual período será também ultrapassado. A atenção está agora centrada nas eleições intercalares de novembro, que considera uma oportunidade para os eleitores avaliarem o rumo político seguido até ao momento.

O ator acredita que o resultado poderá funcionar como um contrapeso político e abrir caminho para uma mudança antes das presidenciais de 2028: “Se tudo correr bem, constituirão um contrapeso e, depois, em 2028, com um pouco de sorte, recuperaremos alguma normalidade.”

Clooney mostrou-se igualmente crítico em relação à forma como algumas questões científicas e ambientais são atualmente encaradas por quem ocupa posições de poder: “Estamos a viver um momento em que a maioria dos que detêm o poder decidiu que as alterações climáticas são uma farsa e que a ciência não é real.”

Apesar das críticas, o ator mantém uma perspetiva otimista sobre o futuro. “Isso não vai durar para sempre”, afirmou, acrescentando que “haverá outras pessoas no poder e elas vão preocupar-se com isso”.