Um ano depois das eleições legislativas que conduziram Luís Montenegro ao poder, o mais recente barómetro DN/Aximage revela uma profunda alteração no quadro político nacional. O PS surge destacado na liderança das intenções de voto, com 33,4%, abrindo uma vantagem de quase dez pontos sobre o Chega, que ascende ao segundo lugar com 23,5%, enquanto a AD cai para a terceira posição, com 23,2%.
Os números representam um duro revés para a coligação governamental PSD/CDS, que perde terreno face às legislativas de 2025 e vê agravar-se o desgaste associado ao exercício do poder. O estudo evidencia ainda uma quebra consistente da AD ao longo dos últimos meses, num contexto marcado por críticas à governação, dificuldades na resposta a temas sociais e económicos, e crescente contestação em torno de áreas como a saúde, habitação e custo de vida.
Em sentido inverso, o PS parece beneficiar de uma recuperação sustentada da sua base eleitoral. Liderado por José Luís Carneiro, o partido socialista não apenas recupera terreno perdido nas últimas legislativas, como consolida a perceção de alternativa governativa. O barómetro mostra igualmente que os socialistas conseguem manter uma implantação transversal em diferentes regiões e segmentos sociais.
Mas talvez o dado politicamente mais significativo seja a consolidação do Chega como segunda força nacional. O partido de André Ventura mantém-se acima dos 23% e ultrapassa a AD, confirmando uma transformação estrutural no sistema partidário português. A sondagem aponta para uma forte implantação do Chega entre os eleitores mais jovens e nas áreas metropolitanas, sobretudo em Lisboa.
O cenário desenhado pelo barómetro reforça a ideia de um país dividido em três blocos políticos de dimensão próxima, mas onde o PS surge, para já, como o principal beneficiário do desgaste governativo e da fragmentação à direita.
















