Clément Vandenkerckhove, de 25 anos, viu a vida mudar depois de um teste de ADN confirmar que é filho do príncipe Laurent da Bélgica. O antigo vendedor de automóveis passou a integrar discretamente a família real, embora não tenha direito a qualquer subsídio ou fortuna da realeza.
Durante anos, Clément Vandenkerckhove viveu uma vida completamente afastada da realeza. O jovem belga era vendedor de carros e cresceu com a mãe, a cantora Wendy Van Wanten, sem saber inicialmente quem era o seu verdadeiro pai.
A história começou a mudar quando Clément tinha 16 anos. Foi nessa altura que a mãe lhe revelou que o seu pai era o príncipe Laurent, atualmente com 63 anos, irmão do rei Philippe e filho do antigo rei Alberto II.
Anos antes, Clément já tinha encontrado o príncipe num centro comercial, em 2013, mas na altura não fazia ideia de que estava perante o seu pai biológico.
Quando tinha 20 anos, decidiu contactar Laurent. Os dois acabaram por se encontrar pessoalmente e avançaram para um teste de ADN, realizado num hospital.
“Fomos juntos ao hospital e lembro-me dele dizer: ‘Vou primeiro para que te sintas à vontade’”, recordou Clément num documentário.
O resultado confirmou aquilo que até então era apenas uma suspeita: o príncipe Laurent era, de facto, o seu pai.
A relação entre os dois foi sendo construída de forma discreta e, há cerca de seis meses, Clément terá sido integrado oficialmente na família do príncipe numa cerimónia reservada. Os detalhes desse momento só agora começaram a ser conhecidos.
Apesar de ter passado a ter um título real, a nova condição não significa que Clément vá receber dinheiro da família real belga. Também não fará parte da linha de sucessão ao trono nem deverá assumir funções públicas em representação da monarquia.
O jovem continua a decidir se pretende adotar o apelido do pai, Saxe-Coburg. Por enquanto, mantém o apelido Vandenkerckhove, que considera uma parte importante da sua identidade e da história da mãe.
'Tenho orgulho no apelido Vandenkerckhove', afirmou ao jornal Het Nieuwsblad, acrescentando que abdicar dele seria uma espécie de traição a tudo o que a mãe fez por si.
Clément tem ainda como meios-irmãos os príncipes Nicolas e Aymeric, ambos filhos de Laurent e da princesa Claire, com quem o príncipe se casou em 2003. A princesa Louise é também sua meia-irmã.
A história tem ainda uma curiosa ligação ao passado da própria família real belga. O avô de Clément, o antigo rei Alberto II, de 92 anos, viveu uma situação semelhante quando foi confrontado com uma disputa de paternidade envolvendo Delphine Boël.
Após uma longa batalha judicial, Alberto II reconheceu oficialmente Delphine como filha em 2020. A artista passou a ter o título de princesa e adotou o nome Delphine de Saxe-Coburg.
Assim, duas gerações da mesma família acabaram por protagonizar histórias de paternidade que chegaram aos tribunais e alteraram a composição oficial da família real belga.
No caso de Clément, porém, a confirmação da paternidade não deverá traduzir-se numa presença regular nos compromissos da monarquia. O jovem mantém uma vida discreta e, apesar da nova ligação à família real, pretende continuar a preservar a identidade que construiu longe dos holofotes.

















