O Ministério Público de São Paulo pediu esta quinta-feira, dia 20, a manutenção da prisão preventiva de Deolane Bezerra, de 38 anos, e dos restantes arguidos da Operação Vérnix, investigação que apura um alegado esquema de branqueamento de capitais ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O pedido surge no âmbito da revisão periódica da prisão preventiva, depois da advogada e influenciadora brasileira ter ultrapassado os 90 dias de detenção. Segundo a defesa, o fim desse prazo não implica uma libertação automática: cabe ao juiz reavaliar a necessidade da medida e fundamentar a decisão.

No requerimento apresentado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a acusação sustenta que continuam reunidos os pressupostos para manter os arguidos privados de liberdade, nomeadamente para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal.

Segundo o Ministério Público, Deolane integraria o alegado núcleo financeiro da organização criminosa e seria, de acordo com a acusação, uma das principais responsáveis pela ocultação e dissimulação de dinheiro de origem ilícita. Os investigadores apontam ainda para a utilização de contas bancárias associadas à influenciadora e às suas empresas, bem como para a aquisição de bens de elevado valor.

A investigação terá identificado três áreas dentro da alegada organização: um núcleo de decisão, um operacional e outro financeiro. Deolane é apontada pela acusação como integrante deste último.

O processo tem origem numa investigação iniciada em 2019, depois de terem sido apreendidos manuscritos no sistema prisional paulista. A análise desse material levou as autoridades a aprofundarem as ligações entre diferentes elementos e estruturas empresariais alegadamente utilizadas para movimentar e ocultar dinheiro.

A Operação Vérnix acabou por chegar a Deolane depois de outras diligências terem identificado alegadas ligações financeiras e empresariais. Segundo a investigação, foram detetadas movimentações de valores elevados, empresas e património cuja origem as autoridades consideram não estar suficientemente justificada.

A defesa, por sua vez, contesta a necessidade da prisão preventiva. O advogado Aury Lopes Jr. afirmou ontem que a revisão dos 90 dias representa uma oportunidade para o tribunal analisar novamente a situação da cliente: "É um momento importante para rever se a prisão é contemporânea, necessária, mas não há soltura imediata só porque se passaram os 90 dias.”

O advogado defende, contudo, que Deolane deveria ser libertada e admite a possibilidade de substituição da prisão preventiva por outras medidas cautelares, incluindo prisão domiciliária ou vigilância através de pulseira eletrónica.

Em julho, recorde-se, o Tribunal de Justiça de São Paulo já tinha rejeitado um novo pedido de habeas corpus apresentado pela defesa da influenciadora, mantendo a prisão preventiva.