Quando a seleção portuguesa subir hoje ao relvado de Alvalade para defender o seu título de campeã da Liga das Nações, está a estrear-se na quinta edição de uma prova que, sendo habitualmente apresentada como uma criação de Michel Platini, enquanto presidente da UEFA, tem um ‘pai’ verdadeiro que é português: chama-se Tiago Craveiro, tem 51 anos, e foi responsável pela conceção e pelo desenvolvimento do modelo que transformou os pouco atrativos jogos particulares entre seleções numa prova oficial com grupos, divisões, subidas, descidas e uma fase final.

Se é verdade que foi Platini que assegurou o indispensável apoio político e institucional, quando as federações europeias aprovaram o projeto em 2014, foi Craveiro quem trabalhou a ideia e desenhou de raiz a arquitetura competitiva. A primeira edição começou em setembro de 2018 e terminou, em junho de 2019, com a vitória de Portugal sobre os Países Baixos, no Estádio do Dragão.

Do jornalismo ao ‘universo CR7’

Antigo jornalista, Tiago Craveiro passou pela Media Capital antes de exercer funções políticas como adjunto da Presidência do Conselho de Ministros e chefe de gabinete da secretária de Estado da Juventude, Hermínio Loureiro, pela mão de quem entrou depois no universo do futebol, trabalhando mais tarde com o mesmo na Liga Portugal de que Loureiro foi presidente

Em 2024, Portugal, derrotando a Espanha na final,  conquistou pela segunda vez a Liga das Nações, uma prova cujo ‘pai’ é o português Tiago Craveiro

Em 2012, Fernando Gomes convidou-o para assumir funções executivas na Federação Portuguesa de Futebol. Durante uma década, como diretor-geral e secretário-geral, teve um papel determinante na modernização da FPF, na construção da Cidade do Futebol e no lançamento do Canal 11, sendo uma espécie de CEO da estrutura federativa, existindo quem não hesite em classificar o seu trabalho como “determinante” para uma época de grandes conquistas do futebol português, nomeadamente a conquista do Europeu de 2016 e os outros sucessos das seleções portuguesas de futebol e futsal.

Craveiro integrou também grupos de trabalho da FIFA e da UEFA e foi administrador da UEFA Club Competitions, sociedade responsável pelas competições europeias de clubes. Em 2022 deixou a FPF para assumir funções estratégicas na própria UEFA. Discreto e pouco conhecido do grande público, é uma das figuras portuguesas mais influentes nos centros de decisão do futebol internacional. No final de 2023, Craveiron entrou no universo empresarial de Cristiano Ronaldo, assumindo funções de consultor estratégico da CR7, AS, sendo administrador de algumas das empresas detidas pelo capitão da nossa seleção.