O Governo reagiu esta sexta-feira, dia 16, com invulgar dureza à manchete do Correio da Manhã que garante que a Lufthansa "fica com a TAP de borla". Numa nota de esclarecimento publicada nas redes sociais, o Executivo classifica o texto como "um exemplo grave de mentira, ignorância e má-fé" e diz tratar-se de "uma falsidade que importa desmentir e esclarecer".
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, também publicou um vídeo nas redes sociais a desmentir a notícia.
Na edição desta sexta-feira, o CM sustenta que se a companhia alemã vai pagar 1.201 milhões de euros por 49,9% da TAP, é certo que empresa portuguesa tem, porém, 1.222,1 milhões de euros em caixa e depósitos e 1.042,6 milhões em prejuízos fiscais que pode abater aos lucros dos próximos anos. O jornal baseia-se nas contas consolidadas da TAP a 30 de junho de 2026. Conclui que, se o Estado vender o restante capital em 2028, a Lufthansa ficará com a companhia "praticamente a custo zero".


O Governo responde em três pontos. Fala em "mentira" porque a Lufthansa paga 1.201 milhões por 49,9% e o Estado mantém a maioria do capital. Acrescenta que a TAP é avaliada em quase 2,6 mil milhões de euros, quando a avaliação de setembro de 2024 lhe atribuía, no máximo, 350 milhões.
Fala em "ignorância" porque uma empresa vale pelo que tem e pelo que deve. Lembra ainda que o preço inclui um compromisso de investimento, só na frota, entre três e quatro mil milhões de euros.
Fala, por fim, em "má-fé" porque o jornalista não terá contactado o Governo antes da publicação. Segundo o Executivo, a notícia procura criar "uma reação pública e política populista" para que tudo fique na mesma.
O Executivo sublinha que, numa segunda fase, a proposta pode chegar aos 2.552 milhões de euros. Esse valor seria cerca de sete vezes a avaliação máxima de 2024 e colocaria a TAP praticamente ao nível da Air France em bolsa, uma empresa com seis vezes mais aviões. Diz ainda que o Estado poderá tornar-se acionista da quarta maior companhia aérea do mundo. Junta a isto outros investimentos ligados à proposta, num total de cerca de mil milhões de euros.
Recorde-se que no mesmo texto, o CM aponta uma contradição: o Governo considera a REN estratégica, ao ponto de a Parpública ter investido mais de 500 milhões de euros numa participação, mas quer vender a TAP a 100%.
A Lufthansa foi escolhida na quarta-feira para adquirir inicialmente 44,9% da TAP, por um preço de referência de 1.025 milhões de euros. A participação pode subir até 49,9% caso os trabalhadores não subscrevam a totalidade das ações que lhes estão reservadas. A privatização total deve estar concluída até ao início de 2028. Para isso, o Governo precisa de convencer a oposição no Parlamento.

















