A Lufthansa não quer ficar apenas com uma participação minoritária na TAP. O presidente executivo do grupo alemão, Carsten Spohr, afirmou que a companhia aérea portuguesa representa uma oportunidade estratégica que não podia deixar escapar e revelou que já discutiu com o Governo português um caminho para chegar à totalidade do capital da transportadora.

“A TAP foi uma oportunidade que não podíamos perder”, afirmou o responsável, durante uma conferência telefónica com analistas e investidores, esta quinta-feira, dia 15 .

A Lufthansa foi selecionada pelo Governo português para adquirir inicialmente 44,9% da TAP, numa operação avaliada em 1025 milhões de euros. A participação poderá subir até 49,9% caso os trabalhadores não subscrevam a totalidade das ações que lhes estão reservadas.

No entanto, os planos do grupo alemão vão mais longe. Carsten Spohr explicou que foi discutida com o Executivo uma possível segunda fase da privatização, que permitiria à Lufthansa adquirir os restantes 50,1% da companhia aérea portuguesa, podendo chegar aos 100% do capital, com a possibilidade de os trabalhadores manterem algumas ações.

Também o diretor financeiro da Lufthansa, Till Streichert, confirmou que o grupo apresentou uma proposta de 1300 milhões de euros para adquirir a participação restante. Esta fase dependerá de novas negociações e de uma decisão política do Governo português.

A aquisição da TAP é vista pela Lufthansa como uma oportunidade para reforçar a presença internacional e expandir a operação para mercados estratégicos, sobretudo na América do Sul e no Brasil. A complementaridade entre as redes das duas companhias é apontada como uma das principais vantagens do negócio. O objetivo passa também por reduzir a dependência das operações realizadas a partir da Alemanha e reforçar a posição do grupo no mercado internacional da aviação.

“Esta é uma decisão geracional. Não fazemos isto para os próximos dois, três ou quatro anos. É algo em que temos de pensar em décadas”, sublinhou Carsten Spohr.

O responsável reconheceu que uma participação minoritária não corresponde ao modelo de investimento preferido da Lufthansa, mas defendeu que a operação já poderá gerar valor antes de uma eventual aquisição da maioria do capital.

A integração da TAP no grupo alemão está dependente da aprovação das autoridades da concorrência, um processo que poderá prolongar-se até ao primeiro semestre de 2028. Ainda assim, Carsten Spohr defendeu que as equipas da Lufthansa devem começar a encarar a companhia portuguesa como parte do grupo assim que a operação for aprovada.

O presidente executivo destacou ainda a situação financeira da TAP, afirmando que a transportadora apresenta atualmente uma margem de rentabilidade superior à das companhias que integram o grupo alemão. A Lufthansa garantiu, por sua vez, que a aquisição inicial será financiada integralmente com disponibilidades de caixa, sem necessidade de emitir novas ações. A proposta prevê também a possibilidade de o Estado português adquirir uma participação de até 5% no grupo alemão.