O ministro da Administração Interna, Luís Neves, de 60 anos, rejeitou este domingo, dia 12, em entrevista exclusiva ao canal NOW, ter ameaçado André Ventura (43), durante um debate parlamentar, e quebrou o silêncio sobre a contratação de um empresário seu amigo para a realização de obras em instalações da Polícia Judiciária.

A polémica política foi desencadeada pelo Chega, que acusou o governante de ter dirigido ameaças ao presidente do partido, durante o debate quinzenal de 27 de maio. De acordo com um comunicado do grupo parlamentar, Luís Neves terá dito para a bancada do Chega: "Vais pagá-las todas, vais engoli-las todas."

O partido anunciou ainda que iria pedir uma reunião urgente ao Presidente da República.
Na entrevista conduzida por Eduarda Pires, Luís Neves negou essa versão e sustentou que as imagens divulgadas pelo Chega estavam "truncadas". Segundo o ministro, as palavras proferidas foram: "Têm zero, vocês vão ver", numa referência às acusações relacionadas com o SIRESP e à audição parlamentar que viria a realizar-se a 17 de junho.

O governante garantiu que nunca ameaçou André Ventura ou qualquer deputado e considerou uma "afronta" às forças de segurança a possibilidade de se interpretar o episódio como uma intimidação policial.

Luís Neves foi também confrontado com a contratação da Construbarcelos, empresa de João dos Santos Carvalho, para obras nos edifícios da PJ na Guarda e em Évora, durante o período em que dirigia aquela polícia. O caso foi inicialmente noticiado pelo Nascer do Sol, que identificou uma relação pessoal entre o então diretor nacional da PJ e o empreiteiro.

O ministro afirmou que a empresa manteve relações contratuais com a Polícia Judiciária entre 2019 e 2025, mas declarou que, durante "quatro ou cinco anos", não conhecia pessoalmente o empresário.

Confirmou ter conhecido João dos Santos Carvalho em 2023 e admitiu que, em 2024, os dois passaram a ter uma relação "mais próxima". Luís Neves procurou, assim, afastar qualquer favorecimento, defendendo que os contratos antecederam a amizade e foram realizados através dos procedimentos próprios da instituição.

"A minha integridade pública é à prova de bala. Tenho uma única conta bancária, o meu registo financeiro é todo escrutinável", disse ainda o ex-diretor da Polícia Judiciária, garantido que não há problema algum com Luís Montenegro.