A tensão entre Pedro Passos Coelho e o Governo de Luís Montenegro está a subir de tom. Depois de meses em que o Executivo e a direção do PSD procuraram desvalorizar as críticas do antigo primeiro-ministro, as respostas tornaram-se agora mais duras.
Passos Coelho tem insistido na necessidade de maior ambição reformista e voltou a defender que seria importante o Governo “ousar mais”. O antigo líder laranja reconhece as dificuldades da atual composição parlamentar, mas considera necessário deixar sinais claros das reformas que pretende concretizar no futuro.
A reação mais contundente partiu da ministra do Ambiente e Energia. Maria da Graça Carvalho respondeu que o Executivo está concentrado em resolver problemas que se arrastam “há 15 anos”, numa referência direta ao período em que Passos chefiou o Governo, entre 2011 e 2015. A governante sustentou que alguns desses dossiês ficaram então por resolver.
Também Leonor Beleza, vice-presidente do PSD, entrou no confronto. Disse ter “muita dificuldade em compreender” as posições de Passos e sugeriu que o desfecho político de 2015 (quando o PSD venceu as legislativas, mas perdeu o Governo após o acordo parlamentar à esquerda) poderá continuar a pesar na sua leitura política. Segundo o Público, essa interpretação é igualmente partilhada nos corredores do Governo.
Passos rejeita, porém, qualquer rutura. Garantiu que continua no PSD, afastou a hipótese de novas 'aventuras' partidárias e disse desejar que Montenegro seja bem-sucedido. Mas não retirou o essencial do recado: quer um Governo mais reformista e com maior ousadia.

















