Duas aeronaves comerciais evitaram uma colisão frontal sobre o Oceano Atlântico graças aos sistemas automáticos de segurança instalados a bordo. O incidente ocorreu no passado dia 10 de julho e envolveu um Airbus A321 da Iberia, que fazia a ligação entre Recife, no Brasil, e Madrid, em Espanha, e um Boeing 787-9 da Air Europa, que seguia de Madrid para o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Ao todo, os dois aviões transportavam 472 pessoas.

De acordo com um relatório preliminar da Comissão de Investigação de Acidentes e Incidentes de Aviação Civil de Espanha (CIAIAC), as duas aeronaves voavam na mesma aerovia, em sentidos opostos, e tinham autorização para manter a altitude, cerca de 11 quilómetros. O incidente ocorreu no espaço aéreo das Ilhas Canárias, próximo da costa do Saara Ocidental.

O primeiro aviso emitido foi um Traffic Advisory (TA), que alerta os pilotos para a proximidade de outra aeronave. Segundos depois, entrou em ação o Resolution Advisory (RA), que dá instruções obrigatórias para evitar uma colisão. O Airbus da Iberia recebeu ordem para descer cerca de 152 metros, enquanto o Boeing 787-9 da Air Europa foi instruído a subir aproximadamente 122 metros, aumentando imediatamente a separação entre os dois aviões.

Após a manobra, ambos os voos prosseguiram normalmente até aos respetivos destinos e aterraram em segurança, sem feridos ou danos materiais. A CIAIAC classificou o caso como um incidente e abriu uma investigação para apurar por que motivo as duas aeronaves foram autorizadas a voar à mesma altitude numa rota em que seguiam uma na direção da outra. O relatório divulgado é preliminar e poderá sofrer alterações à medida que a investigação avance.