O procurador-geral da República rejeitou esta sexta-feira, 25, a existência de um clima de tensão entre o Ministério Público e a Polícia Judiciária, dois dias depois das buscas realizadas no âmbito de uma investigação que envolve o diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro. Amadeu Guerra garantiu que as duas instituições vão continuar a trabalhar em conjunto.
"Não há ambiente pesado", afirmou o PGR, em Bragança, à margem da conferência 'Idade e Vulnerabilidade: Onde deve ir o Direito'. "Sempre colaborámos bem, sempre foram pessoas muito disponíveis. Vamos continuar a fazer trabalho com a Polícia Judiciária, como é óbvio", acrescentou, sublinhando que a PJ "merece todo o nosso respeito".
As buscas de quarta-feira inserem-se num inquérito relacionado com alegadas gravações efetuadas durante a investigação do caso 'Football Leaks'. Segundo a denúncia que deu origem ao processo, estarão em causa gravações de um encontro realizado em 2015, numa área de serviço da A5, envolvendo Aníbal Pinto e outros intervenientes. A diligência terá sido relevante para a identificação de Rui Pinto. Carlos Cabreiro, atual diretor nacional da PJ, era então coordenador da Secção de Investigação da Criminalidade Informática da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo.
Amadeu Guerra recusou revelar o resultado das buscas ou o material apreendido, invocando o segredo de justiça, e lamentou a fuga de informação sobre a operação.
O PGR procurou ainda retirar caráter excecional à investigação. "Este processo é igual a muitos outros", esclareceu, explicando que o Ministério Público recebeu uma denúncia, abriu um inquérito e está agora a recolher e analisar prova. No final, frisou, caberá aos magistrados decidir se existem elementos para acusar ou se o processo deve ser arquivado. Guerra salientou ainda que a própria PJ colaborou nas diligências realizadas no âmbito da investigação.

















