Leão XIV, de 71 anos, aproveitou a primeira visita apostólica a França para lançar um forte alerta sobre os riscos da Inteligência Artificial (IA), a escalada das guerras e a ameaça das armas nucleares. Em Paris, o Papa pediu que o progresso tecnológico nunca se sobreponha à dignidade humana, numa altura em que a IA está a transformar profundamente a sociedade e também a forma como os conflitos são travados.

"Não percamos a nossa Humanidade no meio do paraíso de máquinas", advertiu Leão XIV, colocando a responsabilidade ética no centro do desenvolvimento tecnológico. A posição dá continuidade às preocupações expressas na encíclica 'Magnifica humanitas', publicada em maio, na qual o pontífice defende que a Inteligência Artificial deve permanecer sob controlo humano e não pode assumir decisões letais ou irreversíveis.

O Papa tem insistido particularmente nos perigos da utilização militar da IA. Na véspera da viagem a França, perante a Pontifícia Academia das Ciências, alertou que sistemas de vigilância, manipulação e armas autónomas, quando desenvolvidos sem salvaguardas e supervisão humana, podem criar novos riscos para a segurança e a paz internacional.

A mensagem estende-se à corrida ao armamento. Leão XIV considera o desarmamento nuclear um instrumento essencial ao serviço da paz e tem defendido também uma IA "desarmada", isto é, libertada de lógicas de "dominação, exclusão e morte".

A visita a França decorre até segunda-feira e inclui passagens por Paris, Lourdes e Metz. Na capital francesa, Leão XIV tem encontros com Emmanuel Macron, autoridades políticas e diplomáticas e responsáveis da UNESCO, antes de uma vigília com jovens no Stade de France.