As autoridades de saúde espanholas voltaram a soar o alarme após a confirmação de um novo caso de febre hemorrágica da Crimeia-Congo, uma doença potencialmente mortal transmitida por carraças. O doente, um homem de 68 anos, foi inicialmente assistido em Salamanca e posteriormente transferido para um hospital de referência em Madrid. Desde 2016, Espanha registou 21 casos da doença, seis dos quais resultaram em morte.
Especialistas alertam, contudo, que esta infeção representa apenas uma pequena parte de um problema muito mais vasto. As doenças transmitidas por carraças têm aumentado nos últimos anos e já não são consideradas episódios isolados. Entre as patologias mais frequentes destacam-se a doença de Lyme e várias infeções provocadas por bactérias do género Rickettsia, que afetam centenas de pessoas todos os anos no país vizinho.
A expansão destes artrópodes está a ser impulsionada por fatores como as alterações climáticas, que favorecem a sua reprodução e sobrevivência, o crescimento das populações de animais hospedeiros, como javalis, veados e coelhos, e a crescente prática de atividades ao ar livre. Além disso, os especialistas sublinham que as carraças deixaram de estar confinadas às zonas rurais e podem hoje ser encontradas em parques urbanos e espaços verdes das cidades.
Perante este cenário, as autoridades recomendam medidas de prevenção, como o uso de roupa adequada em zonas com vegetação, a aplicação de repelentes e a inspeção do corpo após passeios ao ar livre. Espanha reforçou ainda os programas de vigilância epidemiológica, considerando atualmente que praticamente todo o território peninsular e as Baleares apresentam risco de exposição a doenças transmitidas por carraças.

















