A rainha Letizia de Espanha foi uma das figuras mais comentadas na recepção a Leão XIV em Madrid, no passado sábado. Surgiu de branco – e tinha razão protocolar para o fazer. A mulher de Felipe VI integra um grupo de apenas seis soberanas no mundo com o chamado privilège du blanc, uma excepção secular do Vaticano que autoriza certas rainhas católicas a prescindirem do negro obrigatório nas audiências com o Papa.

O privilégio está reservado a consortes de monarquias com ligação histórica à Santa Sé, cujas casas reais tenham recebido o título papal Rex Catholicissimus. As seis mulheres são:

  • Letizia de Espanha – rainha consorte desde 2014, quando Felipe VI sucedeu a Juan Carlos I. No primeiro encontro com o Papa, ainda como princesa das Astúrias, vestiu negro. Só após a proclamação do marido passou a exercer o privilégio.
  • Sofia de Espanha – rainha emérita, mantém o direito mesmo após a abdicação de Juan Carlos I.
  • Mathilde da Bélgica – rainha consorte do rei Filipe da Bélgica, esteve presente na entronização de Leão XIV em maio de branco e mantilha.
  • Paola da Bélgica – rainha emérita, mantém igualmente o privilégio.
  • Charlene do Mónaco – princesa consorte do principado, esteve também de branco na entronização de Leão XIV.
  • Maria Teresa do Luxemburgo – grã-duquesa consorte, completa a lista.

Usar branco, porém, não é a única regra. O protocolo exige também mantilha , o véu que cobre a cabeça, independentemente da cor escolhida. No sábado, Letizia voltou a prescindir dela: surgiu com um vestido de renda branco de motivos florais, cinturão de fivela larga e sapatos brancos, sem qualquer véu. Não foi a primeira vez. Num encontro anterior com o Papa, em março deste ano, já havia feito o mesmo, dividindo a opinião pública espanhola.