O conflito entre Patrick Drahi e Armando Pereira, dois dos homens que ergueram o império das telecomunicações Altice, entrou numa nova fase de elevada tensão judicial.

Segundo avançou o diário francês Libération, duas residências pertencentes ao magnata franco-israelita terão sido alvo de medidas de apreensão judicial a pedido do empresário português, antigo braço-direito e cofundador do grupo.

A disputa entre ambos agravou-se após a chamada Operação Picoas, desencadeada em Portugal em 2023, e que colocou Armando Pereira no centro de suspeitas relacionadas com alegadas irregularidades nos processos de compras e contratação ligados à Altice, tendo na altura, Drahi tentado demarcar-se do caso.

Contudo, a separação empresarial e pessoal evoluiu entretanto para uma verdadeira batalha patrimonial. Armando Pereira reclama direitos económicos que considera seus e sustenta possuir interesses relevantes ligados ao universo Altice, exigindo em tribunal cerca de 1,4 mil milhões de euros e contestando a liberdade de Drahi para alienar determinados ativos estratégicos do grupo.

Durante anos, Pereira foi considerado o homem da operação e dos custos dentro do universo Drahi, desempenhando um papel central na expansão internacional da Altice, incluindo em França e Portugal. O próprio Patrick Drahi admitiu publicamente que o empresário português conservava um direito económico correspondente a cerca de 20% da sua participação pessoal.

A apreensão agora revelada pelo Libération surge como mais um sinal de que a guerra entre os antigos aliados está longe de terminar, com potenciais repercussões sobre ativos e interesses ainda ligados ao complexo universo financeiro da Altice.