O Boi Caprichoso conquistou o 59.º Festival Folclórico de Parintins, uma das maiores celebrações culturais do Brasil e o principal evento popular da Amazónia.
Depois de três noites de apresentações no Bumbódromo, na cidade de Parintins, no estado do Amazonas, o boi azul e branco somou 1.259 pontos, superando o rival Garantido, que terminou com 1.258,3 pontos. Com esta vitória, o Caprichoso chega ao seu 27.º título.
O Festival de Parintins pode ser comparado à paixão que envolve o Carnaval do Rio de Janeiro, mas com uma identidade própria, profundamente ligada às tradições da floresta amazónica. Todos os anos, no último fim de semana de junho, dezenas de milhares de pessoas viajam até esta ilha situada no rio Amazonas para assistir à disputa entre dois grupos rivais: o Boi Garantido, representado pela cor vermelha, e o Boi Caprichoso, identificado pelo azul.
A origem da festa remonta a 1965, quando foi criado o festival folclórico da cidade. No ano seguinte, começou oficialmente a rivalidade entre os dois bois-bumbás, inspirada na tradicional lenda do 'Bumba Meu Boi', uma das mais antigas manifestações populares do Brasil.
A história conta a morte e a ressurreição de um boi, misturando elementos indígenas, africanos e europeus, que ao longo das décadas ganharam uma dimensão artística única na Amazónia.
Agora, o festival é muito mais do que uma competição. Durante três noites, cada boi apresenta um espetáculo com cerca de duas horas e meia, reunindo milhares de participantes, carros alegóricos gigantes, efeitos especiais, música ao vivo, dança, personagens tradicionais, rituais indígenas e narrativas que exaltam a floresta, os povos originários e a cultura amazónica. Tudo é avaliado por um júri em dezenas de critérios, desde a evolução artística até à qualidade musical e cénica.
O palco desta disputa é o Bumbódromo, uma arena construída especialmente para o festival e que recebe milhares de espectadores vindos de todo o Brasil e também do estrangeiro. Nos últimos anos, o evento transformou-se num importante motor económico para a região, impulsionando o turismo, o comércio e a produção artística local, além de dar visibilidade internacional à cultura da Amazónia.
Na edição de 2026, o Caprichoso apresentou o tema 'Brinquedo que Canta seu Chão', valorizando as raízes amazónicas, a ancestralidade indígena e a resistência cultural dos povos da região.



















