Renan Santos publicou um vídeo nas redes sociais em que apresenta uma nova versão sobre a polémica filiação de Flávio Bolsonaro ao partido. Segundo o candidato à Presidência da República do Brasil pelo Missão, os registos digitais da legenda indicam que o gabinete do senador foi informado sobre a movimentação e que, apesar dos alertas, nada foi feito para impedir ou contestar a filiação naquele momento.

No vídeo, Renan afirma que o Missão comunicou a equipa de Flávio sobre o processo e que existem registos das interações realizadas durante a confirmação da filiação. O presidente do partido sustenta ainda que alguém com acesso ao endereço de correio eletrónico institucional do senador teria aberto mensagens enviadas pela legenda e utilizado os links de confirmação.

Renan vai além e questiona como Flávio Bolsonaro poderia afirmar que desconhecia completamente o episódio se, segundo os dados apresentados pelo Missão, o gabinete teria recebido avisos sobre a movimentação. A legenda afirma que os primeiros alertas foram enviados ainda no dia 2 de agosto.

A acusação coloca uma nova dúvida sobre o episódio: se a filiação foi realmente uma fraude praticada por terceiros contra Flávio, como afirma o senador, quem teve acesso ao seu e-mail institucional e por que motivo os alertas enviados pelo Missão não teriam provocado uma reação imediata?

Renan Santos também sustenta que o partido possui registos técnicos capazes de esclarecer a sequência dos acontecimentos, incluindo informações sobre acessos e confirmações. Segundo ele, esse material será disponibilizado às autoridades responsáveis pela investigação.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, nega ter autorizado a filiação ao Missão e classificou o episódio como uma “molecagem”. A sua equipa também contesta a versão apresentada pelo partido de Renan Santos.

O Tribunal Superior Eleitoral determinou a investigação do caso. A Corte esclareceu que não houve invasão ao sistema da Justiça Eleitoral: a filiação foi realizada por alguém que utilizou credenciais legítimas relacionadas com o partido. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou entretanto o restabelecimento da filiação de Flávio ao PL, permitindo o prosseguimento do registo da sua candidatura.

A investigação deverá agora esclarecer quem realizou os acessos, quem utilizou o e-mail institucional de Flávio e se o gabinete do senador realmente recebeu e ignorou os avisos enviados pelo Missão. Até ao momento, a alegação de Renan Santos de que a equipa de Flávio sabia da filiação não constitui uma conclusão oficial das autoridades, mas uma acusação baseada nos registos que o partido afirma possuir.