A guerra no Irão está a produzir efeitos nas contas públicas brasileiras. O Congresso aprovou um projeto que permite compensar a redução dos impostos federais sobre os combustíveis com receitas extraordinárias provenientes do petróleo, numa tentativa de proteger os consumidores das consequências da subida dos preços provocada pelo conflito no Médio Oriente.
O diploma acabou, porém, por tornar-se bastante mais abrangente. O Governo de Lula da Silva poderá aumentar despesas fora dos limites fiscais durante 2026, comprometendo-se em contrapartida com medidas de contenção no próximo ano. A equipa económica estima que o ajustamento possa atingir 10 mil milhões de reais em 2027.
Entre as medidas aprovadas encontra-se a possibilidade de elevar de cinco para 7,5 mil milhões de reais as despesas com projetos estratégicos de Defesa que ficam fora do teto de gastos e da meta do saldo primário. Poderão ainda ser antecipados três mil milhões de reais do Fundo Social destinados à Saúde e Educação.
O pacote ilustra o impacto económico internacional do conflito: uma guerra travada a milhares de quilómetros obriga Brasília a mexer nos impostos, nas regras orçamentais e nas prioridades de despesa para tentar impedir que a fatura energética chegue em força aos consumidores.

















