As pessoas com mais de 80 anos que conseguem caminhar significativamente mais depressa do que a maioria dos seus contemporâneos apresentam um risco muito inferior de sofrer deterioração cognitiva. Um estudo com quase cinco mil idosos concluiu que estes chamados “super walkers” têm cerca de metade da probabilidade de desenvolver problemas de memória e raciocínio.

Os participantes mais rápidos, que representavam apenas entre 5% e 8% da amostra, caminhavam a uma velocidade semelhante à de pessoas 30 ou 40 anos mais novas. Durante aproximadamente cinco anos de acompanhamento, mostraram um risco 48% menor de perda cognitiva. Quando surgiam problemas, a evolução tendia também a ser mais lenta.

Os exames revelaram diferenças na estrutura cerebral, nomeadamente um maior volume do hipocampo, região essencial para a memória. Caminhar depressa obriga o cérebro a processar simultaneamente equilíbrio, obstáculos, trânsito, orientação e controlo dos movimentos. A atividade muscular liberta ainda substâncias que podem beneficiar os neurónios.

Os investigadores admitem, porém, que uma melhor saúde geral, alimentação equilibrada, genética e condições sociais também podem explicar parte dos resultados. O conselho é começar devagar, respeitar as limitações individuais e aumentar progressivamente o ritmo das caminhadas.