José Luís Carneiro, de 54 anos, acusou esta quinta-feira, dia 16, o Governo de chegar ao debate do Estado da Nação com o País "pior" do que há um ano, centrando a sua intervenção nas falhas da gestão dos exames nacionais, na resposta aos incêndios e na execução das políticas de habitação e saúde.

No arranque da intervenção, o líder socialista deixou uma mensagem de solidariedade aos alunos, professores e famílias afetados pelos atrasos na correção dos exames nacionais, considerando que o Executivo está a "falhar agora gravemente na educação". Carneiro sustentou que o primeiro-ministro tem falhado "nos momentos críticos fundamentais" da governação, apontando o atual processo dos exames como o exemplo mais recente.

Recorrendo a episódios anteriores, recordou que, no verão passado, Luís Montenegro "não foi capaz de cancelar uma festa da AD", numa referência à Festa do Pontal, quando o País enfrentava incêndios de grande dimensão. Criticou ainda aquilo que classificou como a "insensibilidade e incompetência" do Governo na resposta às tempestades que afetaram várias regiões de Portugal.

O secretário-geral do PS voltou a apontar o comportamento do primeiro-ministro durante a atual crise provocada pelos incêndios. Referindo que o ministro da Administração Interna decretou a situação de alerta devido ao risco elevado de fogo rural, criticou o facto de Luís Montenegro se encontrar nos Estados Unidos para assistir ao Mundial 2026.

"Quando regressa, esperávamos uma palavra de responsabilidade, um pedido de desculpa" dirigido às famílias, aos alunos e aos professores afetados pelos problemas nos exames, afirmou. Em vez disso, acusou o chefe do Governo de ter optado por uma "palavra de leviandade", numa alusão às declarações prestadas por Montenegro no festival NOS Alive, considerando que o primeiro-ministro não foi "capaz de reconhecer os grandes erros" cometidos na gestão do processo.

José Luís Carneiro estendeu ainda as críticas às áreas da habitação e da saúde. Acusou o Executivo de apresentar como obra sua projetos que foram planeados e financiados pelos anteriores governos socialistas, sustentando que muitas das casas que o Governo anuncia resultam de investimentos lançados pelo PS.

Na parte final da intervenção, dirigiu duas perguntas diretas ao primeiro-ministro sobre a crise dos exames nacionais. Questionou se o Governo pode garantir que todas as classificações serão divulgadas na sexta-feira, conforme previsto, e quis saber qual é o plano de contingência caso subsistam dúvidas quanto à fiabilidade e ao rigor das avaliações.