O desaparecimento de parte da prova de Português de um aluno de Viseu levou o encarregado de educação a avançar para tribunal, num caso que está a levantar sérias dúvidas sobre os procedimentos de segurança e rastreabilidade dos exames nacionais. O estudante recebeu uma classificação de apenas 4,3 valores, mas a nota incidiu exclusivamente sobre cerca de um terço do exame, uma vez que os restantes dois terços desapareceram sem que, até ao momento, o Ministério da Educação consiga explicar o seu paradeiro.
Indignado com a situação, o pai do aluno, Paulo Duarte, exige, em declarações do Correio da Manhã, o acesso a toda a documentação relacionada com o exame, incluindo os anexos e o percurso administrativo seguido pela prova desde a sua realização. "Exijo saber tudo o que diz respeito à prova do meu filho. Os anexos, a cadeia processual por onde passou, quero saber tudo. É uma questão de justiça. Não quero que o meu filho seja beneficiado, mas ele não pode ser vítima desta grande trapalhada."
O Tribunal Administrativo deu razão ao encarregado de educação, determinando que o Ministério da Educação disponibilize a documentação solicitada. A decisão prevê ainda uma sanção de 100 euros por cada dia de atraso enquanto a prova ou os elementos requeridos não forem apresentados.
O caso coloca sob escrutínio os mecanismos de controlo dos exames nacionais, numa altura em que milhares de estudantes dependem destas avaliações para o acesso ao ensino superior. Para a família, mais do que uma questão de classificação, está em causa a transparência do processo e a garantia de que nenhum aluno seja prejudicado por falhas administrativas.
Enquanto o paradeiro de grande parte da prova continua por explicar, cresce a pressão sobre o Ministério da Educação, liderado pelo ministro Fernando Alexandre, para esclarecer um episódio que levanta dúvidas sobre a fiabilidade do sistema de avaliação.

















