Mais um episódio caricato está a alimentar a polémica em torno da organização dos exames nacionais deste ano. Uma professora já falecida foi convocada para integrar o processo de classificação do exame de Física-Química A, num caso revelado esta segunda-feira, dia 29, e que se junta a uma sucessão de falhas denunciadas por docentes e direções escolares.

Segundo informações divulgadas por vários órgãos de comunicação social, a docente constava das listas de classificadores, apesar de já ter morrido. O caso ocorreu na Figueira da Foz e surge num contexto de múltiplas irregularidades, incluindo professores convocados para corrigir exames de disciplinas diferentes da sua área de especialização e docentes aposentados chamados para reforçar o processo de classificação.

O Júri Nacional de Exames reconheceu a existência de dificuldades técnicas relacionadas com a preparação da classificação digital das provas, assegurando que o processo se encontra em fase de recuperação. Ainda assim, sindicatos e movimentos de professores falam num "caos" organizativo e exigem o apuramento de responsabilidades políticas e administrativas.

A situação representa mais um foco de desgaste para o Ministério da Educação do Governo da AD, liderado por Fernando Alexandre, já confrontado nas últimas semanas com críticas à implementação do novo modelo digital de correção dos exames nacionais. A proximidade da divulgação das classificações e das candidaturas ao ensino superior aumenta a pressão sobre a tutela para garantir a fiabilidade e a credibilidade de um processo determinante para milhares de alunos.