Ângelo Correia não tem dúvidas: “Portugal não precisa das fragatas.” Os próximos três anos, sustenta, vão ser críticos para a defesa da Europa sob ameaça russa. Quando as fragatas estiverem prontas a navegar, o período crítico já terá passado, diz o antigo ministro da antiga Aliança Democrática. Para ele, os navios arriscam-se a chegar tarde, com toda a elegância, a uma guerra para a qual nunca foram a prioridade.
Segundo Ângelo Correia, a urgência europeia está na defesa aérea: “Ainda se compreendia, e muito bem, que Portugal investisse em sistemas de armas como mísseis, drones, comunicações.” Na sua opinião, não existe, no horizonte estratégico do País, ameaça naval que justifique semelhante aparato, nem missão previsível que reclame três fragatas de quase quatro mil milhões de euros.
O Governo, porém, tem a consolação de que Bruxelas financia o negócio. "A União Europeia empresta-nos o dinheiro e nós devolvemo-lo, religiosamente, até ao último cêntimo." Já as fragatas ganharam a ferrugem dos tempos – e o País há de continuar, pontual e agradecido, a pagar por elas: “Dá a ideia de que estamos em presença de um negócio oportunidade", diz Ângelo Correia. "Surgiu a possibilidades de comprar as fragatas e o Governo, de olhos gulosos no crédito dispensado por Bruxelas, foi às compras”, uma decisão que, para Ângelo Correia, tudo indica, terá sido imposta aos chefes da Marinha.
Havia, segundo Ângelo Correia, uma solução menos extravagante e talvez mais útil: “Utilizar parte dessa verba para modernizar as fragatas já existentes e dar-lhes mais 15 anos de vida”, opinião que é partilhada por uma fonte militar ouvida pelo 24Horas: “A Marinha, muito provavelmente, teria agradecido”.

















