Foi através da comunicação social que o 24Horas soube da intenção manifestada hoje pelo Sr. Ministro da Defesa Nacional de processar judicialmente este jornal devido a uma notícia que foi publicada no passado fim-de-semana sobre a compra, pelo Estado português, de três fragatas ao grupo italiano Fincantieri.
Aparentemente a intenção do Sr. Ministro da Defesa Nacional terá sido transmitida à comunicação social através de um comunicado enviado às redações.
O facto do 24Horas não ter recebido o comunicado, tem exatamente o mesmo significado que possui a alegação do Sr. Ministro da Defesa Nacional de que esta publicação não contactou "previamente o Ministério da Defesa Nacional": nenhuma das duas afirmações pode afastar a alegação de que existiu uma tentativa nesse sentido.
Sendo agora para nós certo e evidente que o Sr. Ministro da Defesa Nacional pode não ter conhecimento das tentativas de contato que são feitas, mas tem total informação do que é publicado no 24Horas, aproveitamos esta oportunidade para, por esta via, colocar as questões que o 24Horas tentou ver respondidas e às quais poderá, se assim preferir, responder por novo comunicado, uma vez que este inovador sistema de comunicação baseado em notícias nossas e comunicados do Ministério parece ser eficaz.
Assim:
O 24 Horas sabe que a NT Group foi, súbita e inesperadamente, afastada do negócio perdendo, assim, a comissão prevista no valor de cerca de 90 milhões de euros.
1. Cremos que a NTG terá executado todo o trabalho necessário de intermediação entre a empresa italiana e o Estado português, até que em junho, nas vésperas da celebração do contrato, não viu renovado, ao fim de 8 anos, o contrato de representação da Fincantieri para Portugal. Foi a pedido do Ministério da Defesa Nacional (MDN) que isso ocorreu? Não o sendo, o MDN tem conhecimento desse facto?
2. Confirma que o valor da comissão deste contrato rondava os 90 milhões de euros?
3. Fontes contactadas pelo 24Horas referem que, neste tipo de negócios, a comissão não deixa de estar prevista nas contas do fornecedor dos navios, a Fincantieri. Ao deixar de existir intermediação, esse valor reflete-se nas contas finais do contrato? Ou seja, o Estado português viu essa verba descontada no valor final?
4. As fragatas serão fornecidas com helicópteros? E quais são os sistemas de armas e sensores com que vêm equipadas?
5. O contrato prevê contrapartidas a que a Fincantieri fica obrigada?
Tendo tido conhecimento o 24Horas que o Sr. Ministro da Defesa Nacional irá ainda hoje ser entrevistado por uma televisão, a bem do esclarecimento público de questões que julgamos pertinentes, não vê este jornal qualquer inconveniente em que estas perguntas possam ser colocadas e respondidas em outro órgão de comunicação social.
A terminar, gostaríamos de sublinhar que, à semelhança do que ocorreu com o Ministério da Defesa Nacional, a empresa Fincantieri tão-pouco se mostrou disponível para responder às questões colocadas pelo 24Horas.
Miraflores, 10 de agosto de 2026

















