Duas das maiores companhias marítimas do mundo voltam a ligar a Ásia, o Mediterrâneo e a Europa através do Mar Vermelho, depois de mais de dois anos de suspensão devido aos ataques dos Houthis.

A alteração será feita de forma imediata e surge depois de as duas companhias terem realizado avaliações à situação de segurança na região. Segundo a Maersk, a decisão conjunta com a Hapag-Lloyd representa “um passo no sentido do regresso gradual do corredor trans-Suez”.

A utilização do Canal do Suez tinha sido fortemente condicionada pela instabilidade no Mar Vermelho. Em dezembro de 2023, a Maersk suspendeu, tal como outras grandes companhias marítimas, todo o tráfego através do Mar Vermelho e do Golfo de Áden, depois de uma série de ataques a navios levados a cabo pelos rebeldes houthis.

Desde então, muitos navios passaram a utilizar a rota em torno do continente africano, pelo Cabo da Boa Esperança, aumentando significativamente a distância e o tempo das viagens entre a Ásia e a Europa.

O regresso tem sido feito de forma gradual. Em dezembro de 2025, o Maersk Sebarok realizou a primeira travessia pelo corredor desde a suspensão. Em janeiro deste ano, foi a vez do Maersk Denver atravessar novamente a zona.

Há cerca de um mês, as duas companhias já tinham anunciado o reinício da rota AE15 através do Canal do Suez, também com base numa melhoria das condições de segurança.

Apesar da nova decisão, Maersk e Hapag-Lloyd deixam claro que não está previsto, para já, um regresso generalizado de todos os serviços da aliança Gemini ao corredor do Suez.

“Neste momento, não temos qualquer calendário específico”, explicaram as empresas, sublinhando que a mudança representa um avanço importante, mas não significa ainda uma alteração mais abrangente da rede este-oeste.

A retoma da AE19 marca, assim, mais um sinal de confiança na utilização do Canal do Suez, uma das principais rotas marítimas entre a Ásia e a Europa, depois de meses de forte perturbação provocada pela insegurança no Mar Vermelho.