Alejandra Omaña, de 33 anos, assumiu funções como senadora da região de Norte de Santander, na Colômbia, depois de ter sido eleita pelo partido de esquerda Pacto Histórico. Conhecida anteriormente pelo pseudónimo Amaranta Hank, a política ganhou notoriedade por ter trabalhado na indústria de filmes para adultos.

A antiga atriz pornográfica entrou nesse setor em 2017 e afastou-se dois anos depois para iniciar o percurso na política. Agora, garante que uma das suas prioridades será defender os direitos dos profissionais ligados à criação de conteúdos para adultos.

A tomada de posse decorreu a 20 de julho, em Bogotá. Durante a campanha eleitoral, Alejandra Omaña defendeu a criação de um enquadramento legal que proteja estes trabalhadores de abusos por parte de empresas e agências do setor.

"Estas mulheres ficaram desprotegidas pelo Estado porque, devido à desinformação, ao preconceito e à hipocrisia, ninguém se dispôs a regulamentar esta atividade", afirmou numa das mensagens divulgadas durante a campanha.

Além desta causa, a nova senadora pretende apostar no reforço do acesso aos cuidados de saúde mental e na implementação de medidas de combate ao abuso sexual.

Confrontada com as críticas ao seu passado profissional, Omaña respondeu: "Porque é que uma mulher que trabalhou na indústria adulta não pode aspirar a um cargo público?"

A política considera que a experiência que viveu lhe deu uma perspetiva diferente sobre a sociedade. "A minha experiência permitiu-me compreender a desigualdade, a luta pela liberdade e a economia popular, temas que me comprometo agora a levar diretamente para o debate legislativo. O problema é que a sociedade consome filmes para adultos, mas nega-nos a possibilidade de ocupar espaços de poder", declarou.

No final, deixou uma mensagem sobre o seu percurso: "Não tenho vergonha de absolutamente nada do meu passado, porque cada história que vivi foi um grito de impotência perante a desigualdade no país e a resistência que hoje me leva a ser senadora eleita."