Abelardo de la Espriella, de 48 anos, está no centro de uma polémica depois de surgirem acusações de que terá encenado uma receção com figurantes e câmaras para transmitir uma imagem de popularidade, numa altura em que a Colômbia enfrenta uma grave tragédia.
As imagens da alegada encenação estão a gerar fortes críticas nas redes sociais, com ataques à estratégia de comunicação do presidente colombiano. De la Espriella terá sido recebido num cenário preparado para criar a aparência de uma manifestação espontânea de apoio popular.
A polémica surge poucos dias depois de o advogado e empresário ter assumido oficialmente a presidência da Colômbia. De la Espriella tomou posse a 7 de agosto, iniciando um mandato marcado, desde os primeiros dias, por uma situação de emergência nacional.
O país, recorde-se, foi atingido, a 10 de agosto, por um sismo de magnitude 7.4, que provocou centenas de mortos, milhares de feridos e graves danos em várias regiões do oeste colombiano. As operações de socorro e recuperação continuam.
É precisamente neste contexto que as alegadas imagens da receção estão a provocar maior indignação. As críticas apontam para uma tentativa de construir uma narrativa de apoio ao presidente através de uma situação previamente preparada, enquanto milhares de colombianos enfrentam as consequências da tragédia.
De la Espriella, que chegou à presidência depois de uma carreira como advogado e empresário, sem experiência anterior num cargo político eleito, venceu as eleições presidenciais de 2026 numa disputa muito renhida.
O novo chefe de Estado tem adotado, desde a campanha, uma comunicação fortemente centrada na imagem, em gestos simbólicos e numa relação direta com os seus apoiantes, estratégia que já lhe valeu comparações com outras figuras da chamada 'política do espetáculo' na América Latina.
Até ao momento, não há, nas informações disponíveis, uma confirmação independente de que a receção tenha sido efetivamente encenada. A presidência colombiana deverá ser chamada a esclarecer as circunstâncias das imagens e a eventual presença de figurantes no momento que está a gerar polémica.
















