O Papa Leão XIV prestou uma homenagem a todos os migrantes e apelou a um "exame de consciência" de políticos e sociedade civil. Num discurso no porto de Arguineguín, nas Canárias, local onde já chegaram milhares de migrantes, falou sobre dignidade humana: "Não podemos habituar-nos a contar mortos. A dignidade humana não tem passaporte nem perde valor ao cruzar a fronteira." Em memória daqueles que não sobreviveram, o Pontífice lançou uma coroa de flores para o mar.

A Europa "não pode proclamar a dignidade humana" e normalizar que o Mediterrâneo e o Atlântico se transformem em "cemitérios sem lápides" de migrantes. O discurso decorreu esta quinta-feira, dia 11, e foi assistido por centenas de imigrantes, muitos deles que chegaram ao arquipélago em embarcações precárias oriundas de costas africanas.

Em 2020, o porto de Arguineguín ficou conhecido como o "cais da vergonha", após um pico de chegadas de barcos, que acabavam amontoados no local durante dias consecutivos. O Pontífice quer mudar essa perceção: "Queremos que esse porto deixe de ser o cais da vergonha para ser o porto da esperança."

Considerada a rota de imigração mais mortal do mundo, no local o Papa Leão XIV homenageou todos aqueles que não conseguiram chegar ao seu destino. Depois de receber uma coroa de flores de dois jovens migrantes, lançou-a para a água, simbolicamente.

Em 2025, chegaram às Canárias 17 mil e 788 pessoas, depois dos recordes de 2023 e 2024, com 39 mil e 910 e 46 mil e 843, respetivamente. Outras 3 mil e 100 morreram no mar, no ano passado, de acordo com a organização Caminando Fronteras.

"Queridos migrantes, quero inclinar-me perante a vossa dignidade. Não sois números nem processos. Sois pessoas com uma família e uma casa deixada para trás, com sonhos que ninguém tem direito de menosprezar", sublinhou.

Os países que recebem migrantes devem "criar condições de paz, justiça e desenvolvimento" e protegê-los de "redes criminosas". "A dignidade humana exige vias legais e seguras [de imigração], resgate e assistência, cooperação real contra os traficantes, proteção efetiva das vítimas, processos sérios de acolhimento e integração e políticas que permitam a cada pessoa viver com dignidade na sua própria terra."

A visita oficial do Papa Leão XIV a Espanha termina esta sexta-feira, dia 12, em Tenerife. Desde o último sábado, dia 6, passou por Madrid e Barcelona.

Crédito: Vaticano