Durante décadas, a CVC foi praticamente sinónimo de férias para milhões de brasileiros. A empresa popularizou os pacotes turísticos e construiu uma gigantesca rede de lojas, mas a transformação digital do setor, a dívida e a instabilidade internacional colocaram o grupo perante a maior crise da sua história.
Hoje sabe que a CVC registou no segundo trimestre de 2026 um prejuízo líquido de 51 milhões de reais (cerca de 8,5 milhões de euros), contra um resultado negativo de 16 milhões (2,6 milhões de euros) no mesmo período do ano anterior. Embora os primeiros seis meses tenham revelado alguma melhoria, com as perdas a recuarem de quase 70 para cerca de 10 milhões de reais, a situação permanece delicada.
O presidente executivo, Fabio Mader, atribui parte das dificuldades à guerra no Médio Oriente, que terá provocado cancelamentos no valor aproximado de 110 milhões de reais, perto de 17 milhões de euros. A subida do petróleo pressionou o preço das viagens aéreas e os juros elevados dificultaram a compra de férias a prestações. Ao mesmo tempo, plataformas digitais permitem comparar preços e reservar diretamente hotéis e voos, reduzindo o papel dos intermediários tradicionais.
A empresa enfrenta ainda turbulência acionista. Fundos ligados ao fundo Apex Partners e à GJP passaram a controlar conjuntamente 35 por cento do capital, num processo que gerou preocupações devido à dívida de quase mil milhões de reais da Apex.
A resposta da CVC passa agora pela digitalização das lojas. No segundo trimestre, 55 por cento das vendas concluídas nos balcões começaram nas redes sociais, e onde o novo sistema foi instalado, a conversão comercial terá aumentado mais de 3 vezes.

















