O Camboja tornou-se o principal destino de cidadãos brasileiros vítimas de tráfico de pessoas, atraídos por anúncios falsos de emprego e posteriormente obrigados a participar em esquemas de fraude digital. Em 2025, o país concentrou 44 dos 84 casos registados pelas autoridades brasileiras, ultrapassando Israel, Itália e Bélgica.

As vítimas recebem promessas de salários em dólares, alojamento e outros benefícios. Ao chegarem aos complexos criminosos, ficam sem passaporte, são colocadas sob vigilância permanente e obrigadas a assinar contratos que as deixam com dívidas impossíveis de pagar. Num dos casos, o montante exigido ultrapassava 12 mil dólares.

Quem se recusa a enganar vítimas através da Internet ou tenta fugir enfrenta humilhações, agressões e ameaças de tortura. Alguns dos trabalhadores libertados apresentavam olhos negros e ferimentos nos braços e nas pernas.

Poipet, junto à fronteira com a Tailândia, é um dos principais centros desta indústria criminosa. O Governo cambojano garante que investigará denúncias credíveis, mas organizações internacionais suspeitam da proteção ou cumplicidade de autoridades locais.