Uma mulher brasileira, de 38 anos, foi condenada a um ano e meio de prisão depois de se fazer passar por uma menina de 12 anos para conseguir ser acolhida por um casal no Brasil. Amanda Maria Souza de Oliveira terá utilizado durante anos um esquema semelhante em diferentes regiões do país, segundo as autoridades.
O caso começou quando Amanda apareceu numa igreja evangélica em Joinville, no sul do Brasil, apresentando-se como uma jovem de 18 anos chamada Gabriele. Disse estar à procura de trabalho e acabou por ser apresentada a um casal que, sensibilizado com a situação, decidiu recebê-la em casa.
Depois de algum tempo, a mulher mudou a versão e afirmou que tinha, afinal, apenas 12 anos. Para justificar a aparência adulta, contou que tinha sido vítima de abusos familiares e que o pai a obrigava a tomar suplementos hormonais desde criança.
Amanda chegou ainda a fingir ter uma deficiência e comportava-se como uma criança, chegando a beber leite por um biberão e a utilizar chupetas. O objetivo seria convencer o casal de que precisava de cuidados e proteção.
As suspeitas começaram quando um familiar dos anfitriões desconfiou da história e decidiu pesquisar informações sobre Amanda na Internet. Foi então que encontrou relatos de um episódio semelhante ocorrido no Rio de Janeiro, em 2023.
As autoridades foram contactadas e, confrontada com as informações, Amanda acabou por admitir que tinha mentido sobre a idade e a identidade. Segundo a investigação, a mulher terá confessado utilizar o mesmo método há pelo menos 15 anos.
Existem atualmente nove situações registadas pelas autoridades em diferentes estados brasileiros, incluindo Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Ceará, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul.
Durante o julgamento, Amanda tentou justificar o comportamento através de alegados problemas de saúde mental. No entanto, o tribunal concluiu que não sofria de nenhuma doença mental que explicasse os atos e considerou que agiu de forma deliberada e consciente.
A Justiça acabou por condená-la a um ano e seis meses de prisão pelo que foi descrito no processo como 'sequestro emocional'. O caso chamou a atenção pela dimensão do esquema e pelo facto de a mulher ter conseguido convencer diferentes pessoas de que era uma criança durante vários anos.

















