Fernando Frutuoso de Melo, antigo chefe da Casa Civil da Presidência da República, revelou à Polícia Judiciária (PJ) ter-se sentido pressionado por Nuno Rebelo de Sousa, filho do então Presidente da República, no âmbito do caso das gémeas luso-brasileiras. Maria João Ruela, na altura assessora para os Assuntos Sociais, também relatou desconforto perante a insistência de Nuno.
As declarações constam das inquirições realizadas durante a investigação, às quais a TVI/CNN Portugal teve acesso. Frutuoso de Melo explicou que conhecia Nuno Rebelo de Sousa desde pequeno, mas que não mantinha uma relação pessoal com ele. Sobre os contactos do filho de Marcelo com a Presidência, deixou uma comparação: "Não me passava pela cabeça que a minha filha me escrevesse para o emprego, fosse para pedir um favor ou para outra coisa qualquer."
Maria João Ruela também terá manifestado desagrado com a insistência. "Não achei cordato da parte do dr. Nuno estar a insistir comigo. E depois apresentou uma espécie de queixa ao meu chefe", declarou. Perante a falta de resposta, Nuno Rebelo de Sousa contactou diretamente Frutuoso de Melo, referindo que o assunto tinha sido encaminhado pelo pai para Maria João Ruela, mas que ainda "nada evoluiu". Questionado pelos investigadores sobre se interpretou a mensagem como pressão, o antigo chefe da Casa Civil respondeu afirmativamente e admitiu ter sentido desconforto.
Segundo a mesma fonte, Frutuoso de Melo decidiu posteriormente encaminhar o assunto para o gabinete do então primeiro-ministro. Nuno Rebelo de Sousa, por sua vez, negou durante o inquérito ter usado a condição de filho do Presidente da República para pressionar ou obter benefícios para as crianças.
O caso, recorde-se, voltou esta semana à atualidade depois de o Ministério Público (MP) ter acusado quatro pessoas. Nuno Rebelo de Sousa, o ex-secretário de Estado da Saúde António Lacerda Sales e o antigo diretor clínico do Hospital de Santa Maria Luís Pinheiro são acusados de prevaricação em concurso aparente com abuso de poderes. Daniela Martins, mãe das gémeas, foi acusada de burla qualificada. A defesa de Nuno Rebelo de Sousa rejeita a acusação, considerando que esta "não tem qualquer fundamento, nem factual, nem jurídico, nem social".

















